"If I ever allow genuine compassion to be overtaken by personal ambition, I will have sold my soul" - James Nachtwey
31 dezembro 2006
30 dezembro 2006
25 dezembro 2006
Parabéns
à RTP, pelas reportagens que tem apresentado nesta quadra natalícia, a mostrar outros Natais: com fome, com guerra, ou simplesmente com solidão.
Destaque para a reportagem de Noé Monteiro, do Chade.
A meu ver, é este o verdadeiro serviço público.
E porque também vale a pena destacar aqueles que trazem encanto a este País das Notícias, aqui fica a nota positiva.
O jornalismo devia ser mais assim.
Destaque para a reportagem de Noé Monteiro, do Chade.
A meu ver, é este o verdadeiro serviço público.
E porque também vale a pena destacar aqueles que trazem encanto a este País das Notícias, aqui fica a nota positiva.
O jornalismo devia ser mais assim.
23 dezembro 2006
Porque é preciso arriscar...
mudar, e inovar, No País Encantado das Notícias está agora com uma nova cara.
Menos cor-de-rosa, mas não totalmente cinzento. Com os mesmos conteúdos de sempre.
Espero que gostem das mudanças.
Um Natal muito feliz para todos os leitores do blogue!
Menos cor-de-rosa, mas não totalmente cinzento. Com os mesmos conteúdos de sempre.
Espero que gostem das mudanças.
Um Natal muito feliz para todos os leitores do blogue!
21 dezembro 2006
20 dezembro 2006
Mas Ainda Mais Importante que Saber se Pinto da Costa Festejou a Vitória da Grécia...
é saber o que irá a Floribella jantar na noite de Natal:
"Floribella troca bacalhau por empadão na Consoada"
"Floribella troca bacalhau por empadão na Consoada"
19 dezembro 2006
A Questão Fundamental do "Apito Dourado"
Grande dúvida jornalística, transmitida há pouco pela SIC Notícias: Pinto da Costa festejou ou não a vitória da Grécia no Euro 2004.?
Um grupo de jornalistas, reunidos à volta de Gilberto Madaíl, tenta apurar esta importante questão.
Que interessa se o homem é corrupto ou não? Isto sim, é uma questão de maior importância!
Um grupo de jornalistas, reunidos à volta de Gilberto Madaíl, tenta apurar esta importante questão.
Que interessa se o homem é corrupto ou não? Isto sim, é uma questão de maior importância!
18 dezembro 2006
Má Informação
O Presidente da República iniciou hoje um roteiro de inclusão relacionado com a deficiência.
Tendo eu feito há pouco tempo um artigo sobre surdos, e sabendo que a escola de surdos mais antiga de Portugal (o Instituto Jacob Rodrigues da Casa Pia) seria um dos pontos de passagem de Cavaco, fiquei naturalmente curiosa para saber como os telejornais abordariam o assunto.
Infelizmente, abordaram exactamente como esperava: mal. Pelo menos no caso que vi, o Telejornal da RTP, resumiu-se a um directo do Instituto, no qual tivemos oportunidade de ouvir o jornalista relembrar-nos que ali se tinha passado um escândalo (na Casa Pia em geral, nem no Instituto em particular), ao que se seguiram questões colocadas ao Presidente, imagine-se sobre o quê? Isso mesmo, o escândalo da Casa Pia! Só no fim um jornalista mais iluminado (?) se lembrou de colocar uma pergunta sobre as recentes medidas do governo em relação aos cidadãos com deficiência. E mesmo essa, muito geral.
Conclusão: nada. E é este nada que contribui para assuntos como a deficiência continuem a ser tão mal tratados na sociedade. Porque são mal tratados pelos media. E os media são essenciais para a formação da opinião pública. Convençam-se disso. E comecem a trabalhar a sério. E a perceber que quando estão numa escola de surdos, o simples facto de terem feito uma pequena história da instituição, ou de terem falado com a directora, teria feito uma grande diferença. E não se desculpem com a falta de tempo. Há é falta de informação. Dos jornalistas. Que se acham no direito de informar os outros.
Tendo eu feito há pouco tempo um artigo sobre surdos, e sabendo que a escola de surdos mais antiga de Portugal (o Instituto Jacob Rodrigues da Casa Pia) seria um dos pontos de passagem de Cavaco, fiquei naturalmente curiosa para saber como os telejornais abordariam o assunto.
Infelizmente, abordaram exactamente como esperava: mal. Pelo menos no caso que vi, o Telejornal da RTP, resumiu-se a um directo do Instituto, no qual tivemos oportunidade de ouvir o jornalista relembrar-nos que ali se tinha passado um escândalo (na Casa Pia em geral, nem no Instituto em particular), ao que se seguiram questões colocadas ao Presidente, imagine-se sobre o quê? Isso mesmo, o escândalo da Casa Pia! Só no fim um jornalista mais iluminado (?) se lembrou de colocar uma pergunta sobre as recentes medidas do governo em relação aos cidadãos com deficiência. E mesmo essa, muito geral.
Conclusão: nada. E é este nada que contribui para assuntos como a deficiência continuem a ser tão mal tratados na sociedade. Porque são mal tratados pelos media. E os media são essenciais para a formação da opinião pública. Convençam-se disso. E comecem a trabalhar a sério. E a perceber que quando estão numa escola de surdos, o simples facto de terem feito uma pequena história da instituição, ou de terem falado com a directora, teria feito uma grande diferença. E não se desculpem com a falta de tempo. Há é falta de informação. Dos jornalistas. Que se acham no direito de informar os outros.
10 dezembro 2006
Outonos Amenos Pouco Amenos
Notícia SIC:
"Outono Ameno
Pelo menos até terça-feira, vai-se a chuva e vem o frio. As previsões apontam para temperaturas muito baixas no interior norte. No resto da Europa, este é o Outono mais quente dos últimos anos e por isso as férias na neve estão ameaçadas"
A SIC fala-nos de um "Outono Ameno". Mas depois diz que o frio vem aí. Depois fala da situação no resto da Europa, e nas temperaturas que Portugal tem registado até agora.Mas está, no mínimo, confuso. Porque a informação do título deve corresponder à principal informação da notícia. E porque ainda se arriscam a que quem lê ou ouve a notícia, julgue que está a ser vítima de alguma brincadeira quando lhe falam de "outonos amenos" com chuva e frio...
Pelo menos até terça-feira, vai-se a chuva e vem o frio. As previsões apontam para temperaturas muito baixas no interior norte. No resto da Europa, este é o Outono mais quente dos últimos anos e por isso as férias na neve estão ameaçadas"
A SIC fala-nos de um "Outono Ameno". Mas depois diz que o frio vem aí. Depois fala da situação no resto da Europa, e nas temperaturas que Portugal tem registado até agora.Mas está, no mínimo, confuso. Porque a informação do título deve corresponder à principal informação da notícia. E porque ainda se arriscam a que quem lê ou ouve a notícia, julgue que está a ser vítima de alguma brincadeira quando lhe falam de "outonos amenos" com chuva e frio...
09 dezembro 2006
A Personagem Mistério
O DN tem hoje online uma entrevista com alguém que, ao que parece, afirma que "Marques Mendes não tem causas nem carisma". Isto depreendo eu, porque a afirmação nem sequer vem entre aspas.
Falta também outro pequeno pormenor: não surge o nome do entrevistado. Alguém me ajuda a perceber quem é? É que não vejo mesmo...
Falta também outro pequeno pormenor: não surge o nome do entrevistado. Alguém me ajuda a perceber quem é? É que não vejo mesmo...
08 dezembro 2006
07 dezembro 2006
06 dezembro 2006
Para o Caso de Alguém Ainda Não Ter Percebido...
O metro retoma o tema dos jovens mandriões, desta vez referindo-se-lhes como "universitários".
E para o caso de não ter MESMO percebido... Repete no interior o que diz na primeira página:
http://www.metropoint.com/ftp/20061206_Lisbon.pdf

04 dezembro 2006
E Por Falar Em Coisas Incompreensíveis...
Deixo aqui o link para um texto de Miguel Gaspar no Diário de Notícias de hoje: E que tal descodificar?
Levanta uma questão que me parece pertinente e interessante.
Levanta uma questão que me parece pertinente e interessante.
Acata... Quê??
No Telejornal da Sic Notícias, oiço o pivô falar em "medidas acatatórias".
Está decidido, é desta que vou comprar um dicionário novo.
Está decidido, é desta que vou comprar um dicionário novo.
A Gente Descobre Cada Coisa...
Desde ontem que estamos a ser presenteados pelos nossos media com uma notícia incrivelmente surpreendente: os jovens saem cada vez mais tarde de casa dos pais! Veio esta notícia inédita no decorrer de um estudo efectuado pelo Governo.
Ainda bem que avisam, porque tenho a certeza de que ainda ninguém tinha chegado às conclusões que esse estudo apresenta. Ninguém ainda se tinha apercebido de que os jovens são dependentes dos pais até cada vez mais tarde, que arranjam emprego cada vez mais tarde, que vão, em suma, à sua vida, cada vez mais tarde.
E para acompanhar um estudo revelador, nada melhor do que notícias reveladoras. Não vá alguém estar distraído. E vá de colocá-las na capa. E de lhes dar grande destaque.
Eu sei que é segunda-feira, mas... não havia mesmo nada de novo a dizer aos leitores?...
Ainda bem que avisam, porque tenho a certeza de que ainda ninguém tinha chegado às conclusões que esse estudo apresenta. Ninguém ainda se tinha apercebido de que os jovens são dependentes dos pais até cada vez mais tarde, que arranjam emprego cada vez mais tarde, que vão, em suma, à sua vida, cada vez mais tarde.
E para acompanhar um estudo revelador, nada melhor do que notícias reveladoras. Não vá alguém estar distraído. E vá de colocá-las na capa. E de lhes dar grande destaque.
Eu sei que é segunda-feira, mas... não havia mesmo nada de novo a dizer aos leitores?...


03 dezembro 2006
"Show, Don't Tell"
"Show, don't tell". Mostra, não digas. Máxima jornalística que defende que o jornalista, mais do que guiar o espectador, ouvinte, leitor, para aquilo que deve pensar ou sentir sobre o assunto que está a ser apresentado, lhe deve, simplesmente, mostrar.
Nem sempre é fácil escapar à transgressão desta máxima. E quando estão em causa os temas de interesse humano, ainda mais há o perigo de incorrer nela.
Dou como exemplo deste fenómeno que vejo acontecer não raras vezes no jornalismo, a reportagem que passará hoje na SIC, sobre pessoas que sofrem de paralisia cerebral. Ao ler na SIC online o resumo da dita, deparo-me com um entusiasmo natural do jornalista que a fez. No entanto, quando esse entusiasmo passa a ser quase que uma "lição de moral", ou uma antecipação de qual vai ser a reacção do espectador, a mim coloca-se um problema: é que o jornalista já pensou por mim. Já concluiu o que aquilo me vai mostrar. Então, à partida, já estou limitada na recepção da reportagem.
Deixo, para ilustrar o que expus, o último parágrafo do resumo:
Nem sempre é fácil escapar à transgressão desta máxima. E quando estão em causa os temas de interesse humano, ainda mais há o perigo de incorrer nela.
Dou como exemplo deste fenómeno que vejo acontecer não raras vezes no jornalismo, a reportagem que passará hoje na SIC, sobre pessoas que sofrem de paralisia cerebral. Ao ler na SIC online o resumo da dita, deparo-me com um entusiasmo natural do jornalista que a fez. No entanto, quando esse entusiasmo passa a ser quase que uma "lição de moral", ou uma antecipação de qual vai ser a reacção do espectador, a mim coloca-se um problema: é que o jornalista já pensou por mim. Já concluiu o que aquilo me vai mostrar. Então, à partida, já estou limitada na recepção da reportagem.
Deixo, para ilustrar o que expus, o último parágrafo do resumo:
"São pessoas como estas, que nos remetem para a nossa verdadeira dimensão, que lhes quero apresentar no domingo, na Grande Reportagem, “O Triunfo da Vontade”, logo a seguir ao Jornal da Noite. Aposto que não lhes vai ficar indiferente"
Quem estiver interessado, pode ler o resto no site da SIC.É claro que, independentemente disto, a reportagem em causa poderá ser (e assim o espero) um excelente trabalho jornalístico. Que não deixe indiferente quem a vir. Mas pelo que mostrou, e não pelo que disse.
01 dezembro 2006
Grande (?) Entrevista
Confesso que não percebi muito bem o propósito da Grande Entrevista de ontem. O programa de Judite de Sousa, conhecido por entrevistar figuras públicas de alguma importância, políticos e não só, sempre que eles tenham algo importante a dizer em determinada altura, escolheu ontem um especialista para falar do tema da Anorexia.
A Anorexia, que infelizmente voltou a estar nas "bocas do mundo" devido a mortes recentes, tem sido nas últimas semanas tratada pelos media, quer seja em notícias, quer em reportagens. Parece-me bem. Mas ontem, na Grande Entrevista, apareceu como uma "carta fora do baralho".
Senti que não acrescentou nada à informação que já tinha sido veiculada sobre o tema. Sim, era um especialista que estava ali a falar, pelo que percebi com grande experiência na área. Mas Judite também não "puxou" muito por ele, quase reduzindo a entrevista a uma conversa de café, parecendo que buscava mais respostas para as suas próprias dúvidas sobre o tema, do que o esclarecimento mais profundo dos telespectadores.
Questões até um bocado inocentes como: "Acha que o mundo da moda está mais susceptível ao aparecimento de casos de anorexia?".
Pelo meio, foi introduzida uma reportagem, que também não acrescentou nada de novo, apesar de Judite ter sublinhado que a colega "se tinha esforçado imenso para fazer o trabalho". Houve ainda uma intervenção em directo de uma anoréctica em recuperação. Pareceu-me ter sido esta a melhor parte.
Quando terminou o programa, uma sensação de vazio e ao mesmo tempo desilusão. Esperava mais de uma Grande Entrevista.
A Anorexia, que infelizmente voltou a estar nas "bocas do mundo" devido a mortes recentes, tem sido nas últimas semanas tratada pelos media, quer seja em notícias, quer em reportagens. Parece-me bem. Mas ontem, na Grande Entrevista, apareceu como uma "carta fora do baralho".
Senti que não acrescentou nada à informação que já tinha sido veiculada sobre o tema. Sim, era um especialista que estava ali a falar, pelo que percebi com grande experiência na área. Mas Judite também não "puxou" muito por ele, quase reduzindo a entrevista a uma conversa de café, parecendo que buscava mais respostas para as suas próprias dúvidas sobre o tema, do que o esclarecimento mais profundo dos telespectadores.
Questões até um bocado inocentes como: "Acha que o mundo da moda está mais susceptível ao aparecimento de casos de anorexia?".
Pelo meio, foi introduzida uma reportagem, que também não acrescentou nada de novo, apesar de Judite ter sublinhado que a colega "se tinha esforçado imenso para fazer o trabalho". Houve ainda uma intervenção em directo de uma anoréctica em recuperação. Pareceu-me ter sido esta a melhor parte.
Quando terminou o programa, uma sensação de vazio e ao mesmo tempo desilusão. Esperava mais de uma Grande Entrevista.
26 novembro 2006
Uns são mais que Outros?
Em http://papiro.blogs.sapo.pt/ e em http://bloguitica.blogspot.com é levantada a mesma questão sobre o acidente que vitimou quatro portugueses no Chile, e nomeadamente o tratamento do assunto nos media.
Parece-me, sem dúvida, uma questão pertinente.
Parece-me, sem dúvida, uma questão pertinente.
Links enviados por: Fernando Brandão
O Primeiro Contributo
É com todo o prazer que dou início ao contributo dos leitores neste blogue.
O post que se segue foi indicado pelo leitor Fernando Brandão.
O post que se segue foi indicado pelo leitor Fernando Brandão.
22 novembro 2006
Exercício Jornalístico
Aproveitando a ideia dos exercícios de uma das cadeiras do curso, No País Encantado das Notícias desafia os leitores...
A sugerir um título melhor para esta notícia. E deixa no ar as perguntas: acham que é um título claro? Seria suficiente para ficarem a saber do que a notícia tratava? Acham que traduz o tema mais importante na notícia?
Desafio aberto a todos os que quiserem participar!
A sugerir um título melhor para esta notícia. E deixa no ar as perguntas: acham que é um título claro? Seria suficiente para ficarem a saber do que a notícia tratava? Acham que traduz o tema mais importante na notícia?
Desafio aberto a todos os que quiserem participar!
19 novembro 2006
Ainda bem que Avisam...
"Serial killer tem a casa à venda"
Vejam bem esta oportunidade de negócio!
Segundo o Correio da Manhã, o apartamento está "equipado com vidros duplos", "fica situado numa zona calma" e tem "garagem individual".
E ainda dizem que os jornais não prestam serviço público...
Segundo o Correio da Manhã, o apartamento está "equipado com vidros duplos", "fica situado numa zona calma" e tem "garagem individual".
E ainda dizem que os jornais não prestam serviço público...
17 novembro 2006
No País Encantado das Notícias desafia os seus leitores...
a participarem no blogue!
A partir de hoje estará a funcionar um endereço de e-mail (nopaisencantadodasnoticias@sapo.pt) para o qual poderão enviar as vossas próprias críticas. Artigos, gaffes jornalísticas, capas de jornais absurdas... enfim, tudo o que achem que poderia ter lugar neste País Encantado das Notícias.
As matérias serão depois publicadas com o nome do respectivo contribuidor.
Para o mesmo endereço poderão ainda ser enviadas sugestões e tudo o que acharem pertinente acrescentar sobre este espaço.
nopaisencantadodasnoticias@sapo.pt, um mail ao vosso dispor.
A partir de hoje estará a funcionar um endereço de e-mail (nopaisencantadodasnoticias@sapo.pt) para o qual poderão enviar as vossas próprias críticas. Artigos, gaffes jornalísticas, capas de jornais absurdas... enfim, tudo o que achem que poderia ter lugar neste País Encantado das Notícias.
As matérias serão depois publicadas com o nome do respectivo contribuidor.
Para o mesmo endereço poderão ainda ser enviadas sugestões e tudo o que acharem pertinente acrescentar sobre este espaço.
nopaisencantadodasnoticias@sapo.pt, um mail ao vosso dispor.
13 novembro 2006
Publi (quê?)
A edição de hoje do Destak traz, numa página, aquilo que chama de "Publireportagem".
Pára tudo. Pausa para pensar. Querem ver que se esqueceram de me ensinar isto no curso de Ciências da Comunicação? Revejo rapidamente os tipos de reportagem. Os géneros jornalísticos.
Não. Definitivamente não. Não reconheço este género híbrido. É publicidade, não é reportagem. É reportagem, não é publicidade. Tenham paciência. Não corrompam o jornalismo mais do aquilo que já está.
A tal "publireportagem" consiste num texto sobre os benefícios da soja. Adivinhem qual a base do produto que publicita (perdão, que jornalisticamente reporta)? Isso mesmo, a soja!
Vou anotar no meu bloco de notas este novo género jornalístico. Na lista das coisas a nunca fazer.
Já agora, quem escreveu a reportagem? Um jornalista? Resposta afirmativa, é grave. Resposta negativa, é grave na mesma. Não há ponta por onde pegar nisto.
Pára tudo. Pausa para pensar. Querem ver que se esqueceram de me ensinar isto no curso de Ciências da Comunicação? Revejo rapidamente os tipos de reportagem. Os géneros jornalísticos.
Não. Definitivamente não. Não reconheço este género híbrido. É publicidade, não é reportagem. É reportagem, não é publicidade. Tenham paciência. Não corrompam o jornalismo mais do aquilo que já está.
A tal "publireportagem" consiste num texto sobre os benefícios da soja. Adivinhem qual a base do produto que publicita (perdão, que jornalisticamente reporta)? Isso mesmo, a soja!
Vou anotar no meu bloco de notas este novo género jornalístico. Na lista das coisas a nunca fazer.
Já agora, quem escreveu a reportagem? Um jornalista? Resposta afirmativa, é grave. Resposta negativa, é grave na mesma. Não há ponta por onde pegar nisto.
Ora aqui está uma notícia importante para a nação.
Quem é que, comprando o seu jornalito logo pela manhã, não espera encontrar escarrapachada na capa a crise do negócio da roupa?
Quem é que, comprando o seu jornalito logo pela manhã, não espera encontrar escarrapachada na capa a crise do negócio da roupa?

O Regresso
Quando quase sete meses depois de termos terminado um blogue, vemos que ainda há quem nos deixe comentários a pedir que continuemos, não podemos ficar indiferentes...
Tal como não me foram indiferentes todos os outros comentários aqui deixados ao longo deste tempo. Duvido que mereça todas as palavras de apreço e elogio que foram dirigidas ao conteúdo deste blogue. Agradeço-as no entanto. Mesmo muito.
Apesar disso, durante muito tempo não foram suficientes para me levar a continuar este projecto. Volto agora, porque é agora que vejo que pode continuar a fazer sentido. Porque sinto agora vontade de continuar. Não foi afinal definitivo o fim.
A vocês, que me incentivaram a prosseguir, mesmo quando não tinha vontade, peço-vos que me ajudassem agora a ressuscitar este blogue. Com o vosso contributo. Os vossos comentários. As vossas opiniões sempre bem-vindas.
Desde já, aos que aqui regressam, sejam bem-vindos de novo!
Tal como não me foram indiferentes todos os outros comentários aqui deixados ao longo deste tempo. Duvido que mereça todas as palavras de apreço e elogio que foram dirigidas ao conteúdo deste blogue. Agradeço-as no entanto. Mesmo muito.
Apesar disso, durante muito tempo não foram suficientes para me levar a continuar este projecto. Volto agora, porque é agora que vejo que pode continuar a fazer sentido. Porque sinto agora vontade de continuar. Não foi afinal definitivo o fim.
A vocês, que me incentivaram a prosseguir, mesmo quando não tinha vontade, peço-vos que me ajudassem agora a ressuscitar este blogue. Com o vosso contributo. Os vossos comentários. As vossas opiniões sempre bem-vindas.
Desde já, aos que aqui regressam, sejam bem-vindos de novo!
14 abril 2006
The End
Hoje escrevo aquele que será o último post deste blogue.
Tão naturalmente como decidi iniciá-lo há cerca de um ano atrás, sinto agora que chegou a altura de lhe pôr um ponto final.
Este blogue começou sem um destino claramente traçado, isto é, sem grande regras e objectivos fixos. Mas pretendia ser um espaço de crítica e reflexão sobre os meios de comunicação social. Um espaço onde eu, ocupando duplamente o papel de consumidora dos media e futura profissional dos mesmos, pudesse partilhar as minhas reflexões, espantos, às vezes indignações com o que se passa nesta área.
Com algumas paragens e hesitações pelo meio, o blogue foi seguindo o seu caminho, e julgo que cativando alguns leitores fixos. Foi muito gratificante ver que havia quem gostasse de visitar este cantinho, e quem se espantasse, indignasse e reflectisse também.
Hoje, um ano e pouco depois de ter iniciado este projecto, sinto que chegou a altura de o terminar. De dizer adeus, ou até à próxima (quem sabe se se seguirão outros projectos...)
Só me resta agradecer aos amigos que me apoiaram e que me incentivaram a continuar. A todos os que se foram tornando frequentadores assíduos deste blogue. Aos que gostavam de vir dar uma espreitadela de vez em quando. Aos que o enriqueceram com comentários construtivos. Enfim, a todos os que me ajudaram a construir este projecto, porque afinal nada disto faria sentido se estivesse a escrever só para mim.
A todos muito obrigada! Espero que tenham apreciado boas viagens neste "País Encantado das Notícias"!
Tão naturalmente como decidi iniciá-lo há cerca de um ano atrás, sinto agora que chegou a altura de lhe pôr um ponto final.
Este blogue começou sem um destino claramente traçado, isto é, sem grande regras e objectivos fixos. Mas pretendia ser um espaço de crítica e reflexão sobre os meios de comunicação social. Um espaço onde eu, ocupando duplamente o papel de consumidora dos media e futura profissional dos mesmos, pudesse partilhar as minhas reflexões, espantos, às vezes indignações com o que se passa nesta área.
Com algumas paragens e hesitações pelo meio, o blogue foi seguindo o seu caminho, e julgo que cativando alguns leitores fixos. Foi muito gratificante ver que havia quem gostasse de visitar este cantinho, e quem se espantasse, indignasse e reflectisse também.
Hoje, um ano e pouco depois de ter iniciado este projecto, sinto que chegou a altura de o terminar. De dizer adeus, ou até à próxima (quem sabe se se seguirão outros projectos...)
Só me resta agradecer aos amigos que me apoiaram e que me incentivaram a continuar. A todos os que se foram tornando frequentadores assíduos deste blogue. Aos que gostavam de vir dar uma espreitadela de vez em quando. Aos que o enriqueceram com comentários construtivos. Enfim, a todos os que me ajudaram a construir este projecto, porque afinal nada disto faria sentido se estivesse a escrever só para mim.
A todos muito obrigada! Espero que tenham apreciado boas viagens neste "País Encantado das Notícias"!
07 abril 2006
06 abril 2006
A Sempre Imaginativa "Focus"

Interessante, esta capa da Focus... O título "acusados de pornografia" central, a letras bem vermelhas. Lemos em cima que se refere aos actores de "Morangos com Açúcar", mas aparece no meio das fotografias de Paes do Amaral e Balsemão...
O leitor menos avisado, à primeira vista até podia confundir as personagens... É que com os "morangos" tão escondidos lá atrás...
05 abril 2006
Futebol (?) e Constituição
Dia de grande jogo. Já se sabe como o país vibra com o futebol. Já se sabe o espaço (muitas vezes criticado por ser demasiado) que este ocupa na agenda mediática...
Mas quando oiço de manhã, na Antena 1, uma edição especial emitida a partir de Barcelona, em que as entrevistadas são portuguesas que trabalham e vivem em Barcelona, a falar das suas vidas e das suas experiências naquela cidade, questiono-me realmente até que ponto chegámos. Qual o interesse daquilo? Qual a relação com o jogo de futebol?
Segue-se, na mesma estação, a "Antena Aberta", habitual fórum de opinião dos ouvintes. Oiço que o tema hoje é a Constituição Portuguesa. Perguntam aos ouvintes coisas como: Acha que a constituição está bem como está? Acha que devia haver alterações? Quais? Não tive oportunidade de ouvir as intervenções, mas quase que podia adivinhar que a maior parte das pessoas não tinha grande coisa a dizer... Ou pelo menos não sabia o que estava a dizer. Porque, sejamos razoáveis, será que a maior parte do povo português tem assim um conhecimento tão profundo da Constituição, que se possa pronunciar sobre estas questões? Não querendo subestimar os conhecimentos dos portugueses, tenho as minhas dúvidas...
Mas quando oiço de manhã, na Antena 1, uma edição especial emitida a partir de Barcelona, em que as entrevistadas são portuguesas que trabalham e vivem em Barcelona, a falar das suas vidas e das suas experiências naquela cidade, questiono-me realmente até que ponto chegámos. Qual o interesse daquilo? Qual a relação com o jogo de futebol?
Segue-se, na mesma estação, a "Antena Aberta", habitual fórum de opinião dos ouvintes. Oiço que o tema hoje é a Constituição Portuguesa. Perguntam aos ouvintes coisas como: Acha que a constituição está bem como está? Acha que devia haver alterações? Quais? Não tive oportunidade de ouvir as intervenções, mas quase que podia adivinhar que a maior parte das pessoas não tinha grande coisa a dizer... Ou pelo menos não sabia o que estava a dizer. Porque, sejamos razoáveis, será que a maior parte do povo português tem assim um conhecimento tão profundo da Constituição, que se possa pronunciar sobre estas questões? Não querendo subestimar os conhecimentos dos portugueses, tenho as minhas dúvidas...
03 abril 2006
"E Que Tal Vender Uns Jornalitos?"
Parece inegável que hoje o papel da imprensa está longe de ser aquele que era há anos atrás. E muito menos aquele que era há décadas. A quebra acentuada das vendas de jornais vem sustentá-lo.
Um texto de Miguel Gaspar, publicado hoje no Diário de Notícias, vem dar mais um contributo para a refexão sobre o papel da imprensa nos dias de hoje: "E que tal vender uns jornalitos?"
Um texto de Miguel Gaspar, publicado hoje no Diário de Notícias, vem dar mais um contributo para a refexão sobre o papel da imprensa nos dias de hoje: "E que tal vender uns jornalitos?"
31 março 2006
30 março 2006
Apocalipses...
O Diário de Notícias publica hoje um texto de opinião de Ruben de Carvalho. Sob o título "Apocalípticos e Integrados", continuação de um texto publicado na passada quinta-feira, Ruben de Carvalho expõe a sua preocupação em relação à diminuição do índice de leitura de jornais, e à transposição do conteúdo dos jornais, para edições online.
Na sua opinião, esta transposição "é insuficiente do ponto de vista cultural", por razões que expõe ao longo do texto. Só não apresenta soluções. Não concebe alternativas para resolver aquilo que considera ser um discurso jornalístico predominantemente "monocórdico"... Quais seriam então os caminhos a adoptar pelas edições online? E será que são assim tão monocórdicas? E será que as tecnologias, com todas as potencialidades que oferecem, não têm capacidade de introduzir novidade? Serão insuficientes do ponto de vista cultural? Ou será que oferecem um outro ponto de vista cultural?
Ficam as questões...
Na sua opinião, esta transposição "é insuficiente do ponto de vista cultural", por razões que expõe ao longo do texto. Só não apresenta soluções. Não concebe alternativas para resolver aquilo que considera ser um discurso jornalístico predominantemente "monocórdico"... Quais seriam então os caminhos a adoptar pelas edições online? E será que são assim tão monocórdicas? E será que as tecnologias, com todas as potencialidades que oferecem, não têm capacidade de introduzir novidade? Serão insuficientes do ponto de vista cultural? Ou será que oferecem um outro ponto de vista cultural?
Ficam as questões...
27 março 2006
A Realidade Apresentada Pelos Media: Um caso Específico
Nos últimos dias, as notícias do regresso forçado de milhares de portugueses emigrantes no Canadá, têm enchido páginas de jornais e preenchido largos minutos de telejornais.
Mas parece-me que neste, como noutros casos, para lá da exposição emotiva da problemática em causa, fazia falta uma análise mais fria, fazia falta que se colocassem algumas questões que não vejo ser colocadas...
Pelo menos eu, enquanto consumidora de informação, não me sinto totalmente informada em relação ao que está em causa. Só sei que de um momento para o outro temos um enorme drama de milhares de pessoas a serem forçadas a regressar em pouco tempo de um país no qual estavam há vários anos, onde tinham uma vida feita, tinham carro, casa, etc. Muito bem. Mas não sei quais as razões que os levaram a estar ilegais durante tanto tempo; não se legalizaram porque não queriam? Porque não puderam? E já agora, qual é a lei de imigração no Canadá? Obviamente que não poderia ser exposta de forma exaustiva, mas se calhar não ficava mal um breve resumo dos principais requisitos para a legalização naquele país... Eu não sei quais são, e calculo que a maior parte das pessoas não saiba...
Os media supostamente têm também a função de ajudar a compreender a realidade, de explicar, em determinada situação, aquilo que está em causa. Mas o que se vê, muitas vezes, é que procuram mais o espectáculo e a dramatização do momento, do que se preocupam em que a opinião pública perceba o que está em causa. E depois de todo aquele "calor" do momento, de repente tudo desaparece, já não vende, já cansa, cai no esquecimento. E nós ficámos sem saber o que realmente estava ali em questão.
Às vezes tenho dúvidas se isto será realmente informação...
Mas parece-me que neste, como noutros casos, para lá da exposição emotiva da problemática em causa, fazia falta uma análise mais fria, fazia falta que se colocassem algumas questões que não vejo ser colocadas...
Pelo menos eu, enquanto consumidora de informação, não me sinto totalmente informada em relação ao que está em causa. Só sei que de um momento para o outro temos um enorme drama de milhares de pessoas a serem forçadas a regressar em pouco tempo de um país no qual estavam há vários anos, onde tinham uma vida feita, tinham carro, casa, etc. Muito bem. Mas não sei quais as razões que os levaram a estar ilegais durante tanto tempo; não se legalizaram porque não queriam? Porque não puderam? E já agora, qual é a lei de imigração no Canadá? Obviamente que não poderia ser exposta de forma exaustiva, mas se calhar não ficava mal um breve resumo dos principais requisitos para a legalização naquele país... Eu não sei quais são, e calculo que a maior parte das pessoas não saiba...
Os media supostamente têm também a função de ajudar a compreender a realidade, de explicar, em determinada situação, aquilo que está em causa. Mas o que se vê, muitas vezes, é que procuram mais o espectáculo e a dramatização do momento, do que se preocupam em que a opinião pública perceba o que está em causa. E depois de todo aquele "calor" do momento, de repente tudo desaparece, já não vende, já cansa, cai no esquecimento. E nós ficámos sem saber o que realmente estava ali em questão.
Às vezes tenho dúvidas se isto será realmente informação...
Semelhanças...
25 março 2006
"Todos a Dormir"?
Será que os jornalistas deveriam seriamente repensar a sua profissão?
"Todos a dormir", um texto do Director de Informação da SIC, coloca questões relativas ao papel actual do jornalista, e defende que os jornalistas precisam de repensar a sua profissão "antes que alguém o faça por eles".
Um Projecto Interessante
JornalismoPortoRádio é uma webrádio criada pelos alunos do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto.
Este projecto é uma oportunidade para os alunos porem em prática os conhecimentos das aulas. Vem juntar-se ao projecto já existente JornalismoPortoNet, um jornal digital.
Um projecto interessante em http://jpr.icicom.up.pt/
Este projecto é uma oportunidade para os alunos porem em prática os conhecimentos das aulas. Vem juntar-se ao projecto já existente JornalismoPortoNet, um jornal digital.
Um projecto interessante em http://jpr.icicom.up.pt/
A Velha Questão da Ordem
A questão da existência de uma Ordem dos Jornalistas, voltou a estar em cima da mesa, após declarações de Emídio Rangel, no 5º Congresso de Jornalismo Social da CAIS.
A verdade é que, no que diz respeito a este assunto, as opiniões dos jornalistas continuam a dividir-se. Sabe-se porém que a posição dominante é desfavorável à constituição desta Ordem.
Parece-me, no entanto, uma questão para reflectir: há quem defenda que uma Ordem dos Jornalistas podia ser o caminho para uma determinação mais clara daquilo que é o Código Deontológico da profissão, e assegurar um melhor desempenho e responsabilização dos profissionais do jornalismo. Mas também há quem se oponha, e nomeadamente quem conteste o carácter de obrigatoriedade de inscrição na Ordem. Será que o problema está no individualismo inerente à profissão de jornalista?
Deveriam os jornalistas, a par com outras profissões, estar organizados numa Ordem? Resultaria isso na prática? E, parece-me a questão mais importante: resolveria os principais problemas que afectam esta profissão?
A verdade é que, no que diz respeito a este assunto, as opiniões dos jornalistas continuam a dividir-se. Sabe-se porém que a posição dominante é desfavorável à constituição desta Ordem.
Parece-me, no entanto, uma questão para reflectir: há quem defenda que uma Ordem dos Jornalistas podia ser o caminho para uma determinação mais clara daquilo que é o Código Deontológico da profissão, e assegurar um melhor desempenho e responsabilização dos profissionais do jornalismo. Mas também há quem se oponha, e nomeadamente quem conteste o carácter de obrigatoriedade de inscrição na Ordem. Será que o problema está no individualismo inerente à profissão de jornalista?
Deveriam os jornalistas, a par com outras profissões, estar organizados numa Ordem? Resultaria isso na prática? E, parece-me a questão mais importante: resolveria os principais problemas que afectam esta profissão?
22 março 2006
Um Ano
No País Encantado das Notícias completa hoje um ano de vida.
A todos os que ao longo deste ano foram visitando e comentando neste blogue, o meu obrigado.
A todos os que ao longo deste ano foram visitando e comentando neste blogue, o meu obrigado.
21 março 2006
Provedores
O sociólogo Paquete de Oliveira foi convidado pela administração da RTP para ocupar o cargo de provedor do espectador.
Por definir, está ainda o nome do provedor dos ouvintes, na rádio.
E falta saber também quando entrarão em funções os dois provedores...
Por definir, está ainda o nome do provedor dos ouvintes, na rádio.
E falta saber também quando entrarão em funções os dois provedores...
17 março 2006
12 março 2006
Só Faltava Esta...
Para além de tudo o mais de que os jornalistas já são acusados, o governo dos EUA quer agora acrescentar algo novo: invocou uma lei com 90 anos, para, apoiando-se nela, julgar os jornalistas por espionagem.
Isso mesmo, nem mais nem menos.
Cuidado, eles andam aí, esses jornalistas espiões...
Isso mesmo, nem mais nem menos.
Cuidado, eles andam aí, esses jornalistas espiões...
11 março 2006
E Pelos Vistos Há Mais Quem Não Tenha Percebido
Parece que não fui a única a não entender muito bem onde Júlio Magalhães queria chegar com o seu "Em legítima defesa!". Ou dizendo de outra maneira: houve mais quem chegasse às mesmas conclusões...
No site do Clube de Jornalistas, JAG escreve, sob o título "Comentário Cabalístico", na secção Registo, um comentário ao texto de Júlio Magalhães.
No site do Clube de Jornalistas, JAG escreve, sob o título "Comentário Cabalístico", na secção Registo, um comentário ao texto de Júlio Magalhães.
10 março 2006
Defesa de Quê?...
O jornalista Júlio Magalhães escreve hoje no Diário de Notícias um texto sob o título "Em legítima defesa!", no qual comenta a questão do princípio do contraditório suscitada pelos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa.
Mas o raciocínio de Júlio Magalhães falha numa coisa: é que no caso da TVI estamos perante um canal privado, e no caso da RTP falamos obviamente do operador público de televisão. Ora, parece-me a mim que este pormenor é bastante importante!
O jornalista questiona porque é que só quando Marcelo saiu para a RTP, se levantou toda a questão do contraditório. Pois, se calhar precisamente por isso, porque se tratava da estação pública, que tem, mais que qualquer outro canal, deveres de assegurar o pluralismo, deveres aliás previstos na lei!
O que este texto acaba por parecer afinal de contas é um veículo de "propaganda" das audiências da TVI, contra as da RTP, e um auto-elogio ao modelo da estação em que trabalha. Sinceramente, não consigo tirar dele mais nenhuma conclusão...
Mas o raciocínio de Júlio Magalhães falha numa coisa: é que no caso da TVI estamos perante um canal privado, e no caso da RTP falamos obviamente do operador público de televisão. Ora, parece-me a mim que este pormenor é bastante importante!
O jornalista questiona porque é que só quando Marcelo saiu para a RTP, se levantou toda a questão do contraditório. Pois, se calhar precisamente por isso, porque se tratava da estação pública, que tem, mais que qualquer outro canal, deveres de assegurar o pluralismo, deveres aliás previstos na lei!
O que este texto acaba por parecer afinal de contas é um veículo de "propaganda" das audiências da TVI, contra as da RTP, e um auto-elogio ao modelo da estação em que trabalha. Sinceramente, não consigo tirar dele mais nenhuma conclusão...
08 março 2006
Informações Um Bocado Trocadas...
O jornal Destak diz hoje, numa notícia breve, que José Ramos Horta é o convidado da Fundação Oriente para uma conferência, no dia 10 de Março, na sede da fundação.
Têm a certeza?... É que eu sei de uma conferência de Ramos Horta nesse mesmo dia, mas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova.
Pormenores...
Têm a certeza?... É que eu sei de uma conferência de Ramos Horta nesse mesmo dia, mas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova.
Pormenores...
Será Possível?!
"De bradar aos infernos"- um texto de Acácio Barradas que relata uma situação realmente inacreditável.
06 março 2006
A Importância dos Jornais nas Escolas
O Público trazia ontem uma notícia, na qual dava conta de um estudo realizado na Finlândia, que liga a leitura de jornais às competências de alunos de 15 anos, nas áreas da matemática, literatura e ciências.
O relatório, patrocinado pela associação finlandesa de jornais (o que, por muito que não se queira, acrescenta aqui alguma desconfiança), sugere que o elevado nível de leitura de jornais é um factor que ajuda a explicar que nas duas avaliações feitas até agora, a Finlândia se tenha destacado nas três áreas testadas.
Quase seis em cada dez alunos finlandeses disseram ler jornais várias vezes por semana e 26 por cento várias vezes por mês. Os que se saíram melhor na avaliação, terão sido os que liam várias vezes por semana.
A nível de leitura, principalmente, os alunos demonstraram uma grande facilidade, que os investigadores explicam pelo hábito de ler textos jornalísticos, o que desenvolve as suas competências.
Mas os elevados níveis de leitura de jornais estão também associados a melhores competências em ciência e matemática. Isto poderá explicar-se por, através dos jornais, os alunos tomarem contacto com situações do dia-a-dia.
Por fim, os alunos demonstraram também vontade de prosseguir com os hábitos de leitura.
Conclusão: o relatório sugere que os jornais devem ser valorizados pelas escolas como material de aprendizagem.
Concordo plenamente com esta conclusão! Mas nem quero pensar qual seria o resultado do estudo, se se fizesse um inquérito parecido cá em Portugal...
-"Lês jornais?"
-"Não, não tenho tempo, tenho de ver os Morangos com Açúcar"
O relatório, patrocinado pela associação finlandesa de jornais (o que, por muito que não se queira, acrescenta aqui alguma desconfiança), sugere que o elevado nível de leitura de jornais é um factor que ajuda a explicar que nas duas avaliações feitas até agora, a Finlândia se tenha destacado nas três áreas testadas.
Quase seis em cada dez alunos finlandeses disseram ler jornais várias vezes por semana e 26 por cento várias vezes por mês. Os que se saíram melhor na avaliação, terão sido os que liam várias vezes por semana.
A nível de leitura, principalmente, os alunos demonstraram uma grande facilidade, que os investigadores explicam pelo hábito de ler textos jornalísticos, o que desenvolve as suas competências.
Mas os elevados níveis de leitura de jornais estão também associados a melhores competências em ciência e matemática. Isto poderá explicar-se por, através dos jornais, os alunos tomarem contacto com situações do dia-a-dia.
Por fim, os alunos demonstraram também vontade de prosseguir com os hábitos de leitura.
Conclusão: o relatório sugere que os jornais devem ser valorizados pelas escolas como material de aprendizagem.
Concordo plenamente com esta conclusão! Mas nem quero pensar qual seria o resultado do estudo, se se fizesse um inquérito parecido cá em Portugal...
-"Lês jornais?"
-"Não, não tenho tempo, tenho de ver os Morangos com Açúcar"
03 março 2006
Notícias Com Poder Terapêutico
A jornalista da RTP, Daniela Santiago, lança hoje em livro a sua tese de mestrado intitulada "O Reconforto da Televisão (uma visão diferente sobre a tragédia de Entre-os-Rios)", na qual defende que os media podem ajudar a ultrapassar a dor de uma tragédia.
Não sei até que ponto psicologicamente isso poderá fazer sentido, nem conheço o conteúdo da tese. Mas, por aquilo que me é dado a ler na notícia, parece-me assim uma teoria um bocado "forçada"... Do estilo: Não há problema nenhum se fizemos um péssimo trabalho a cobrir esta tragédia, e se explorámos a dor das pessoas, porque nós, jornalistas, até somos tão bonzinhos, que ajudámos a superar o momento dramático por que aquelas pessoas estavam a passar.
Pode ser uma interpretação errada da minha parte, mas o que temo é que estas teses de cariz psicológico sirvam de escudo para a forma errada como se cobriu este e se venham a cobrir outros acontecimentos dramáticos no futuro.
As notícias podem ajudar a reconfortar as vítimas? Pode ser que sim... Mas que isso não sirva para descansar a consciência dos jornalistas.
Não sei até que ponto psicologicamente isso poderá fazer sentido, nem conheço o conteúdo da tese. Mas, por aquilo que me é dado a ler na notícia, parece-me assim uma teoria um bocado "forçada"... Do estilo: Não há problema nenhum se fizemos um péssimo trabalho a cobrir esta tragédia, e se explorámos a dor das pessoas, porque nós, jornalistas, até somos tão bonzinhos, que ajudámos a superar o momento dramático por que aquelas pessoas estavam a passar.
Pode ser uma interpretação errada da minha parte, mas o que temo é que estas teses de cariz psicológico sirvam de escudo para a forma errada como se cobriu este e se venham a cobrir outros acontecimentos dramáticos no futuro.
As notícias podem ajudar a reconfortar as vítimas? Pode ser que sim... Mas que isso não sirva para descansar a consciência dos jornalistas.
28 fevereiro 2006
A Verdade Nua e Crua
Paulo F.Silva, editor do Jornal de Notícias, em entrevista ao Notícias Lusófonas, diz, a propósito dos cursos de jornalismo, e do desemprego para que são "atirados" muitos dos que saem de lá:
"Estou convencido que, de facto, as universidades estão a fabricar licenciados para o desemprego, porque não há mercado de trabalho, neste sector, que consiga absorver tanta gente, é impossível. E não consigo entender como os sucessivos governos não querem ver esta dura realidade. Qualquer jovem que entra num curso de jornalismo ou de comunicação, seja qual for a designação, não percebe o engodo mercantil, e aspira, com inteira justiça, a ser jornalista. Mas não há redacções para todos eles, nem uma pequena parte. E os que conseguem acabam subjugados ao poder vigente, porque foi esse mesmo poder que, curiosamente, lhes permitiu chegar à tão ambicionada profissão. De qualquer modo, o acesso à profissão não é feito pela via da formação académica, o trajecto é outro, depende de quem manda, e as regras são tão opacas e arbitrárias que nem consigo percebê-las para as explicar."
"Estou convencido que, de facto, as universidades estão a fabricar licenciados para o desemprego, porque não há mercado de trabalho, neste sector, que consiga absorver tanta gente, é impossível. E não consigo entender como os sucessivos governos não querem ver esta dura realidade. Qualquer jovem que entra num curso de jornalismo ou de comunicação, seja qual for a designação, não percebe o engodo mercantil, e aspira, com inteira justiça, a ser jornalista. Mas não há redacções para todos eles, nem uma pequena parte. E os que conseguem acabam subjugados ao poder vigente, porque foi esse mesmo poder que, curiosamente, lhes permitiu chegar à tão ambicionada profissão. De qualquer modo, o acesso à profissão não é feito pela via da formação académica, o trajecto é outro, depende de quem manda, e as regras são tão opacas e arbitrárias que nem consigo percebê-las para as explicar."
Ainda os Estágios
O protocolo dos estágios curriculares está em vigor desde Junho de 2005, e foi subscrito pelo Sindicato dos Jornalistas, a Confederação de Meios, e a Inspecção Geral do Trabalho.
Era bom que todas estas regras fossem cumpridas, lá isso era...
Era bom que todas estas regras fossem cumpridas, lá isso era...
A Não Perder
"Estágios no Jornalismo" é o próximo tema do Clube de Jornalistas, transmitido amanhã, às 23.30, e repetido na quinta-feira às 15.00, na RTP2.
Um programa a não perder, especialmente para os futuros jornalistas.
25 fevereiro 2006
Os Culpados de Sempre
Está em análise uma proposta de alteração ao Código Penal, que poderá punir os jornalistas caso se presuma que as suas investigações possam pôr em causa uma investigação criminal.
É a velha questão do Segredo de Justiça. E, quanto a mim, a velha solução hipócrita, que é punir os jornalistas. E hipócrita porquê? Porque se actua sempre sobre os mesmos, ou seja, aqueles que divulgam a informação (que é o seu trabalho), e se esquecem aqueles que passam a informação para os jornalistas. Sim, porque os jornalistas não têm acesso aos processos por "obra e graça do Espírito Santo"! Alguém tem de lhes dar acesso a ela, certo?
Pois é, mas depois há uma coisa que se chama deontologia, e que não permite aos jornalistas divulgar as suas fontes de informação. Resultado: ficam "entre a espada e a parede".
Ouve-se falar de medidas mais punitivas para as violações de segredo de justiça, mas nunca se anunciam medidas para assegurar uma melhor preservação desse segredo! Afinal, se há tantas fugas, é porque se calhar algo está a funcionar mal... Mas não, a culpa é dos jornalistas, que têm a mania de "meter o nariz" onde não devem...
É a velha questão do Segredo de Justiça. E, quanto a mim, a velha solução hipócrita, que é punir os jornalistas. E hipócrita porquê? Porque se actua sempre sobre os mesmos, ou seja, aqueles que divulgam a informação (que é o seu trabalho), e se esquecem aqueles que passam a informação para os jornalistas. Sim, porque os jornalistas não têm acesso aos processos por "obra e graça do Espírito Santo"! Alguém tem de lhes dar acesso a ela, certo?
Pois é, mas depois há uma coisa que se chama deontologia, e que não permite aos jornalistas divulgar as suas fontes de informação. Resultado: ficam "entre a espada e a parede".
Ouve-se falar de medidas mais punitivas para as violações de segredo de justiça, mas nunca se anunciam medidas para assegurar uma melhor preservação desse segredo! Afinal, se há tantas fugas, é porque se calhar algo está a funcionar mal... Mas não, a culpa é dos jornalistas, que têm a mania de "meter o nariz" onde não devem...
23 fevereiro 2006
Liberte o Jornalista Que Está Dentro de Si (Não Precisa de Curso)
É uma questão antiga, mas precisamente por se manter inalterada, penso que vale a pena voltar a ela.
Falo do acesso a profissão de jornalista. E do facto de não ser preciso ter formação na área, para se aceder à profissão. Por outras palavras: qualquer um pode ser jornalista!
Sobre isto, a lei diz, no Estatuto do Jornalista, no Artigo 5º, que regula o acesso à profissão:
"1- A profissão de jornalista inicia-se com um estágio obrigatório, a concluir com aproveitamento, com a duração de 24 meses, sendo reduzido a 18 meses em caso de habilitação com curso superior, ou a 12 meses em caso de licenciatura na área da comunicação social ou de habilitação com curso equivalente, reconhecido pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.
2- O regime de estágio, incluindo o acompanhamento do estagiário e a respectiva avaliação, será regulado por portaria comjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do emprego e da comunicação social."
Já no artigo 2º pode ler-se que "podem ser jornalistas os cidadãos maiores de 18 anos em pleno gozo dos seus direitos civis."
Ou seja, na prática, quem está a investir num curso da área do jornalismo, quando chegar ao momento de aceder à profissão, não só terá que competir com outras pessoas da sua área (o que já é um número considerável), mas também com pessoas de outras áreas que podem nada ter a ver com o jornalismo.
Sinceramente, nunca consegui perceber esta "universalidade" do acesso à profissão de jornalista. Eu, com um curso na área das Ciências da Comunicação, não posso desempenhar funções de médica, ou de economista, ou de engenheira, por exemplo! Então porque é que pessoas de outras áreas podem ser jornalistas?
Confesso que não entendo porque se mantém esta lei...
Falo do acesso a profissão de jornalista. E do facto de não ser preciso ter formação na área, para se aceder à profissão. Por outras palavras: qualquer um pode ser jornalista!
Sobre isto, a lei diz, no Estatuto do Jornalista, no Artigo 5º, que regula o acesso à profissão:
"1- A profissão de jornalista inicia-se com um estágio obrigatório, a concluir com aproveitamento, com a duração de 24 meses, sendo reduzido a 18 meses em caso de habilitação com curso superior, ou a 12 meses em caso de licenciatura na área da comunicação social ou de habilitação com curso equivalente, reconhecido pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.
2- O regime de estágio, incluindo o acompanhamento do estagiário e a respectiva avaliação, será regulado por portaria comjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do emprego e da comunicação social."
Já no artigo 2º pode ler-se que "podem ser jornalistas os cidadãos maiores de 18 anos em pleno gozo dos seus direitos civis."
Ou seja, na prática, quem está a investir num curso da área do jornalismo, quando chegar ao momento de aceder à profissão, não só terá que competir com outras pessoas da sua área (o que já é um número considerável), mas também com pessoas de outras áreas que podem nada ter a ver com o jornalismo.
Sinceramente, nunca consegui perceber esta "universalidade" do acesso à profissão de jornalista. Eu, com um curso na área das Ciências da Comunicação, não posso desempenhar funções de médica, ou de economista, ou de engenheira, por exemplo! Então porque é que pessoas de outras áreas podem ser jornalistas?
Confesso que não entendo porque se mantém esta lei...
21 fevereiro 2006
É Assim Tão Difícil?...
Será assim tão difícil para a maior parte dos jornalistas, meterem na cabeça que a presença de álcool no sangue se pronuncia "alcoolemia" e não "alcoolémia"?
É só um acento... nem custa muito...
É só um acento... nem custa muito...
18 fevereiro 2006
16 fevereiro 2006
13 fevereiro 2006
Os Erros Que Se Destacam no "Destak"
Estes são apenas dois dos erros que se podem encontrar na edição de hoje do gratuito Destak:


Alguém me dizia hoje a propósito disto: "Como é gratuito, não podemos reclamar". Pois eu digo que não só podemos, como devemos! Não é por um jornal ser gratuito que não tem deveres para com os leitores! Além de que não nos podemos esquecer de que é precisamente o número de leitores que contribui para aumentar as receitas publicitárias. Portanto, de certa forma, estamos a pagar o jornal. "O Destak é o gratuito com maior número de leitores", publicita o jornal, com grande pompa e circunstância. Pena que isso não seja indicador de qualidade...
Por duas vezes exerci o meu direito como leitora de reclamar por erros que encontrei no jornal, enviando um e-mail. Da primeira vez, recebi de volta um simpático e-mail, a agradecer o reparo, que, segundo o Destak, se devia a um erro da fonte (o que não era desculpa). Da segunda vez, já devem ter achado que era demais, e não se dignaram a responder. É pena, porque só lhes tinha ficado bem...
Por duas vezes exerci o meu direito como leitora de reclamar por erros que encontrei no jornal, enviando um e-mail. Da primeira vez, recebi de volta um simpático e-mail, a agradecer o reparo, que, segundo o Destak, se devia a um erro da fonte (o que não era desculpa). Da segunda vez, já devem ter achado que era demais, e não se dignaram a responder. É pena, porque só lhes tinha ficado bem...
Desta vez não vou incomodar mais os senhores do Destak. Mas deixo aqui, o meu direito, enquanto leitora, de não gostar de ver erros no jornal que estou a ler. E acho que é legítimo.
11 fevereiro 2006
A Ida de Felgueiras a Fátima
Será que alguém me explica porque é que a ida de Fátima Felgueiras ao santuário de Fátima, com mais cerca de 3000 pessoas de Felgueiras, alegadamente "para agradecer a vitória da autarca nas eleições" é notícia nos telejornais?
Que critério noticioso foi utilizado?
Para além de ser uma especulação afirmar que Fátima Felgueiras e as outras pessoas foram ali para agradecer seja o que for, mesmo que seja verdade, o que é que isso interessa?!
A notícia havia de ter alguma intenção... só não se percebeu qual, e assim tudo o que ficou foi uma notícia ridícula de telejornal de fim-de-semana.
Quão baixo desceram as nossas televisões, se agora até idas dos autarcas a locais religiosos são notícia?... É preocupante.
Que critério noticioso foi utilizado?
Para além de ser uma especulação afirmar que Fátima Felgueiras e as outras pessoas foram ali para agradecer seja o que for, mesmo que seja verdade, o que é que isso interessa?!
A notícia havia de ter alguma intenção... só não se percebeu qual, e assim tudo o que ficou foi uma notícia ridícula de telejornal de fim-de-semana.
Quão baixo desceram as nossas televisões, se agora até idas dos autarcas a locais religiosos são notícia?... É preocupante.
World Press Photo
Porque o jornalismo e o mundo também são feito de imagens...
Fica aqui o link para os vencedores do World Press Photo deste ano.
Fotografias que vale a pena ver.
Fica aqui o link para os vencedores do World Press Photo deste ano.
Fotografias que vale a pena ver.
10 fevereiro 2006
Os "Mupis"
Na edição de ontem do Público, no caderno Local, da zona de Lisboa, vem logo na primeira página em grande destaque uma notícia sobre uns cartazes do tipo mupi, que teriam sido colocados na rua Garrett, e que teriam gerado polémica.
Pode ser ignorância minha, mas não sei o que são esses tais de mupi. Nem tenho obrigação de saber. E atrevo-me a dizer que muita gente não saberá. E não tem obrigação de saber. Quem tem obrigação de se fazer entender aos seus leitores é o jornalista. E este foi mais um caso em que tal não foi feito.
Ao longo de toda a notícia (que tinha uma dimensão considerável), o jornalista não se deu ao trabalho de explicar o que eram afinal os mupis, termo que é repetido exaustivamente.
Ora, como pode o leitor perceber claramente o que está em causa, se não sabe do que o jornalista está a falar? Acho que há aqui uma falha de comunicação bastante grave!
Mesmo que fosse difícil explicar literalmente, a foto que acompanha a notícia podia representar um dos ditos mupis. Mas não.
Tive de recorrer à Internet para ficar a saber afinal que tipo de cartazes estavam em causa, e aí então, ficar esclarecida.
Por este andar, qualquer dia para se entender os media, vamos ter que começar a andar com um dicionário atrás... E de preferência um que inclua também expressões estrangeiras, jargões, e outras coisas que os jornalistas tanto adoram utilizar.
Já agora, para quem for ignorante como eu, parece que isto é que é um mupi:
Ao longo de toda a notícia (que tinha uma dimensão considerável), o jornalista não se deu ao trabalho de explicar o que eram afinal os mupis, termo que é repetido exaustivamente.
Ora, como pode o leitor perceber claramente o que está em causa, se não sabe do que o jornalista está a falar? Acho que há aqui uma falha de comunicação bastante grave!
Mesmo que fosse difícil explicar literalmente, a foto que acompanha a notícia podia representar um dos ditos mupis. Mas não.
Tive de recorrer à Internet para ficar a saber afinal que tipo de cartazes estavam em causa, e aí então, ficar esclarecida.
Por este andar, qualquer dia para se entender os media, vamos ter que começar a andar com um dicionário atrás... E de preferência um que inclua também expressões estrangeiras, jargões, e outras coisas que os jornalistas tanto adoram utilizar.
Já agora, para quem for ignorante como eu, parece que isto é que é um mupi:

07 fevereiro 2006
"Agitação na Lusa" (Actualização)
O Público noticia hoje que o Conselho de Redacção da Lusa confirmou que houve interferência do governo no caso das notícias sobre a instalação de Banda Larga em todas as escolas do país.
A história continua confusa, com versões contraditórias, e a bancada parlamentar do PSD já requereu à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias uma audição urgente da directora de informação da Lusa, Deolinda Almeida.
Vamos ver no que isto vai dar... Mas a conclusão a que chegou o Conselho de Redacção da Lusa é, sem dúvida, preocupante.
A história continua confusa, com versões contraditórias, e a bancada parlamentar do PSD já requereu à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias uma audição urgente da directora de informação da Lusa, Deolinda Almeida.
Vamos ver no que isto vai dar... Mas a conclusão a que chegou o Conselho de Redacção da Lusa é, sem dúvida, preocupante.
06 fevereiro 2006
Manuela e os "Atrasados Mentais"
A revista Correio Domingo, do Correio da Manhã, trazia este domingo uma grande entrevista com Manuela Moura Guedes.
Entre outras afirmações interessantes, Manuela Moura Guedes diz que a maioria dos seus críticos "são uns atrasados mentais e não sabem sobre o que estão a escrever". Manuela acha portanto que quem se atreve a criticá-la só pode ser "atrasado mental". Junto-me então também eu a esse grupo: nunca gostei do estilo de Manuela Moura Guedes, acho que o que ela fazia não só não era jornalismo como era uma ofensa ao jornalismo, e que a decisão do espanhóis de a tirarem da frente do ecrã só pecou por tardar tanto.
Moura Guedes diz na entrevista que nunca deu a sua opinião durante os noticiários, "simplesmente reagia aos acontecimentos, e qualquer comentário servia apenas para chamar a atenção de que aquela notícia podia ter outra leitura ou interpretação". Pergunto: e essa não era a função da notícia? Mostrar os vários ângulos da questão? Não é ao pivot que compete estar a fazer comentários! Se queria comentar, muito bem, mas deveria escolher outra profissão, na qual fosse paga realmente para isso.
Quando questionada sobre o caso da abertura do telejornal com o célebre caso do pontapé do Marco do Big Brother, Manuela responde da seguinte forma: "Quando há histórias que mexem com o país como o pontapé do Marco do Big Brother, isso é ou não é notícia? Talvez não tivesse direito a honras de abertura...". Histórias que mexem com o país?! Qual crise económica, quais notícias sobre o governo? O que o povo quer é o pontapé do Marco! E o mais triste é que isto é verdade para grande parte das pessoas... e em muito graças à "qualidade" dos programas que a TVI oferece...
Manuela Moura Guedes diz ainda que não consegue ver o telejornal da RTP, porque "não tem alma". Já a SIC, considera "menos cinzenta".
Quando lhe perguntam com quem embirra mais a apresentar as notícias, não hesita: O "Zé Beto (José Alberto Carvalho). Porque "ele toma-se de inteligente, finge-se de inteligente e não é nada. É apenas uma voz". Ao que acrescenta: "Não sei sequer se ele tem ideias. E depois aquele ar sério e o vozeirão...". Pois é, Manuela não sabe se José Alberto Carvalho tem ideias. Talvez porque este, ao contrário dela, não faz questão de as exprimir quando está a apresentar o telejornal. Mas o que se há-de fazer? A televisão está cheia destes "atrasados mentais" sem ideias...
Fica aqui o link para a entrevista, para quem estiver interessado em ler mais.
Entre outras afirmações interessantes, Manuela Moura Guedes diz que a maioria dos seus críticos "são uns atrasados mentais e não sabem sobre o que estão a escrever". Manuela acha portanto que quem se atreve a criticá-la só pode ser "atrasado mental". Junto-me então também eu a esse grupo: nunca gostei do estilo de Manuela Moura Guedes, acho que o que ela fazia não só não era jornalismo como era uma ofensa ao jornalismo, e que a decisão do espanhóis de a tirarem da frente do ecrã só pecou por tardar tanto.
Moura Guedes diz na entrevista que nunca deu a sua opinião durante os noticiários, "simplesmente reagia aos acontecimentos, e qualquer comentário servia apenas para chamar a atenção de que aquela notícia podia ter outra leitura ou interpretação". Pergunto: e essa não era a função da notícia? Mostrar os vários ângulos da questão? Não é ao pivot que compete estar a fazer comentários! Se queria comentar, muito bem, mas deveria escolher outra profissão, na qual fosse paga realmente para isso.
Quando questionada sobre o caso da abertura do telejornal com o célebre caso do pontapé do Marco do Big Brother, Manuela responde da seguinte forma: "Quando há histórias que mexem com o país como o pontapé do Marco do Big Brother, isso é ou não é notícia? Talvez não tivesse direito a honras de abertura...". Histórias que mexem com o país?! Qual crise económica, quais notícias sobre o governo? O que o povo quer é o pontapé do Marco! E o mais triste é que isto é verdade para grande parte das pessoas... e em muito graças à "qualidade" dos programas que a TVI oferece...
Manuela Moura Guedes diz ainda que não consegue ver o telejornal da RTP, porque "não tem alma". Já a SIC, considera "menos cinzenta".
Quando lhe perguntam com quem embirra mais a apresentar as notícias, não hesita: O "Zé Beto (José Alberto Carvalho). Porque "ele toma-se de inteligente, finge-se de inteligente e não é nada. É apenas uma voz". Ao que acrescenta: "Não sei sequer se ele tem ideias. E depois aquele ar sério e o vozeirão...". Pois é, Manuela não sabe se José Alberto Carvalho tem ideias. Talvez porque este, ao contrário dela, não faz questão de as exprimir quando está a apresentar o telejornal. Mas o que se há-de fazer? A televisão está cheia destes "atrasados mentais" sem ideias...
Fica aqui o link para a entrevista, para quem estiver interessado em ler mais.
05 fevereiro 2006
A Relatividade dos Valores-Notícia
Alguns correspondentes estrangeiros em Portugal consideraram que a cobertura da visita de Bill Gates ao nosso país foi exagerada.
Penso que há aqui duas componentes a considerar: em primeiro lugar, o que é que essa visita implicava, isto é, o senhor Bill Gates não veio apenas de férias, a sua vinda cá relacionou-se com a assinatura de um conjunto de protocolos de importância(pelo menos assim o esperamos) para o futuro do país. Nesse sentido, acho que os media tinham mesmo de dar cobertura ao assunto, não podiam fingir que nada se passava. Agora, outra coisa é a forma como se dão as notícias... com um tom de "Vem aí o salvador ao nosso país de pobrezinhos!". Acho que em alguns casos se apostou neste tom, mas noutros a cobertura até me pareceu bem feita.
Mas também acho que é preciso relativizar as coisas, isto é: para já, os correspondentes não estão a trabalhar no seu país, e portanto a importância desta visita obviamente não era igual para eles. E, por outro lado, parece-me que não é a mesma coisa o Bil Gates ir a um país como França, ou vir a Portugal... Não se compara a importância que pode ter para um e para outro país, por razões económicas que são conhecidas.
Concluindo: trata-se de "dor de cotovelo" de alguns correspondentes estrangeiros, como o sugere Francisco Rui Cádima? Não sei, mas o que me parece é que não se pode analisar uma cobertura jornalística sem ter em conta a importância do próprio acontecimento, e também outros factores. E se calhar é fácil olharmos para o trabalho que é feito num país que não é o nosso... Mas é preciso também compreender as características específicas desse país (economicamente, socialmente, etc.)...
Penso que há aqui duas componentes a considerar: em primeiro lugar, o que é que essa visita implicava, isto é, o senhor Bill Gates não veio apenas de férias, a sua vinda cá relacionou-se com a assinatura de um conjunto de protocolos de importância(pelo menos assim o esperamos) para o futuro do país. Nesse sentido, acho que os media tinham mesmo de dar cobertura ao assunto, não podiam fingir que nada se passava. Agora, outra coisa é a forma como se dão as notícias... com um tom de "Vem aí o salvador ao nosso país de pobrezinhos!". Acho que em alguns casos se apostou neste tom, mas noutros a cobertura até me pareceu bem feita.
Mas também acho que é preciso relativizar as coisas, isto é: para já, os correspondentes não estão a trabalhar no seu país, e portanto a importância desta visita obviamente não era igual para eles. E, por outro lado, parece-me que não é a mesma coisa o Bil Gates ir a um país como França, ou vir a Portugal... Não se compara a importância que pode ter para um e para outro país, por razões económicas que são conhecidas.
Concluindo: trata-se de "dor de cotovelo" de alguns correspondentes estrangeiros, como o sugere Francisco Rui Cádima? Não sei, mas o que me parece é que não se pode analisar uma cobertura jornalística sem ter em conta a importância do próprio acontecimento, e também outros factores. E se calhar é fácil olharmos para o trabalho que é feito num país que não é o nosso... Mas é preciso também compreender as características específicas desse país (economicamente, socialmente, etc.)...
04 fevereiro 2006
"Agitação na Lusa"
Ao que parece, as notícias relativas à instalação de Banda Larga em todas as escolas do país, terão causado grande agitação na Lusa.
Uma história confusa, que devia ser devidamente esclarecida...
Uma história confusa, que devia ser devidamente esclarecida...
As Televisões do País do Euromilhões
Em semana de grande Jackpot do "Euromilhões", multiplicaram-se nos telejornais as tradicionais reportagens e directos dos locais de apostas, com as repetidas perguntas: "Então, quanto vai apostar?", "O que faria se ganhasse?", com as quais que se obtêm, geralmente, as mesmas respostas.
Mas, como se ainda não bastasse esta adesão em massa das televisões à "febre do Euromilhões", hoje, que já se sabe que houve um totalista português do primeiro prémio, assiste-se a algo ainda mais inacreditável: directos do local onde o vencedor registou a aposta!
Ficamos então a saber que se trata de uma papelaria num centro comercial de Odivelas. No meio de um magote, o jornalista cumpre ali um serviço de utilidade pública fundamental, e faz as perguntas da praxe à dona da loja; se já "deu" outros prémios (como se fosse ela que dá os prémios!), se sabia em que dia tinha sido registada a aposta (como poderia saber?!), e como ia garantir o anonimato do apostador, o que, acrescentou a jornalista, ia ser quase impossível com a quantidade de gente que ali estava.
Serei eu a única a achar estes directos completamente idiotas e vazios?... É que não acrescentam nada a não ser mostrar um conjunto de pessoas que não têm nada mais interessante para fazer do que concentrar-se na dita papelaria à espera que o totalista apareça. Mas que essas pessoas façam isso, é lá com elas, agora transformar isso em notícia, em tema de directo, em verdadeiro caso do dia?!
Será que um jornalista não se sente ridículo a desempenhar um papel tão triste?... Pelo menos parece...
Mas, como se ainda não bastasse esta adesão em massa das televisões à "febre do Euromilhões", hoje, que já se sabe que houve um totalista português do primeiro prémio, assiste-se a algo ainda mais inacreditável: directos do local onde o vencedor registou a aposta!
Ficamos então a saber que se trata de uma papelaria num centro comercial de Odivelas. No meio de um magote, o jornalista cumpre ali um serviço de utilidade pública fundamental, e faz as perguntas da praxe à dona da loja; se já "deu" outros prémios (como se fosse ela que dá os prémios!), se sabia em que dia tinha sido registada a aposta (como poderia saber?!), e como ia garantir o anonimato do apostador, o que, acrescentou a jornalista, ia ser quase impossível com a quantidade de gente que ali estava.
Serei eu a única a achar estes directos completamente idiotas e vazios?... É que não acrescentam nada a não ser mostrar um conjunto de pessoas que não têm nada mais interessante para fazer do que concentrar-se na dita papelaria à espera que o totalista apareça. Mas que essas pessoas façam isso, é lá com elas, agora transformar isso em notícia, em tema de directo, em verdadeiro caso do dia?!
Será que um jornalista não se sente ridículo a desempenhar um papel tão triste?... Pelo menos parece...
03 fevereiro 2006
Jornalistas Com Alguma Experiência (Mas Bem Parecidos) Procuram-se
Mais uma curiosidade dos anúncios na área da comunicação social.
Achei especial piada ao facto de pedirem para enviar "curriculum com fotografia".
Afinal é um anúncio para funções de jornalista ou de modelo?...
Enfim, só me pergunto qual a importância da fotografia para a admissão de um jornalista... Será novo critério de selecção?... Fica a dúvida.
Achei especial piada ao facto de pedirem para enviar "curriculum com fotografia".
Afinal é um anúncio para funções de jornalista ou de modelo?...
Enfim, só me pergunto qual a importância da fotografia para a admissão de um jornalista... Será novo critério de selecção?... Fica a dúvida.
Milagre! O Milagre Apareceu!
E eis que na edição de hoje do Correio da Manhã, surge precisamente o que faltava ontem: o dito milagre!
Será que o jornal está a aderir ao sistema de publicar as notícias em folhetins, do estilo: "não percam o próximo episódio, porque nós também não"? É o que parece...
Já agora, de notar também o tom parcial em que é escrita a notícia, dando o facto como adquirido, usando expressões como "Irmã Lúcia curou menina de 4 anos". Não se devia em vez disso escrever "(...)terá curado uma menina de 4 anos"?... Mas no último parágrafo fala-se de uma "eventual graça divina". Ah, afinal é eventual! É que lendo o título quase que não restariam dúvidas...
Será que o jornal está a aderir ao sistema de publicar as notícias em folhetins, do estilo: "não percam o próximo episódio, porque nós também não"? É o que parece...
Já agora, de notar também o tom parcial em que é escrita a notícia, dando o facto como adquirido, usando expressões como "Irmã Lúcia curou menina de 4 anos". Não se devia em vez disso escrever "(...)terá curado uma menina de 4 anos"?... Mas no último parágrafo fala-se de uma "eventual graça divina". Ah, afinal é eventual! É que lendo o título quase que não restariam dúvidas...
02 fevereiro 2006
O Milagre das Notícias Ocas
O Correio da Manhã publica hoje, sob o título "Cura sensacional", uma notícia sobre um milagre que poderá garantir a beatificação da irmã Lúcia. Falta apenas um pormenor... qual é o milagre??
O jornal não se coíbe de colocar a notícia num lugar de destaque (nas primeiras páginas), mas o leitor fica sem saber qual é o referido milagre. Então onde está a notícia? Seria notícia se já se soubesse qual o milagre, ou se as respectivas autoridades o tivessem considerado verídico... Mas não, o que se refere é apenas uma suposta "documentação com o relato da cura milagrosa".
Ainda se a notícia consistisse apenas numa breve referência, ocupando um espaço reduzido no jornal, podia entender-se... Mas ocupar duas páginas no início do jornal??
É defraudar o leitor sem qualquer peso na consciência, e acho que é jornalismo sem qualidade.
O jornal não se coíbe de colocar a notícia num lugar de destaque (nas primeiras páginas), mas o leitor fica sem saber qual é o referido milagre. Então onde está a notícia? Seria notícia se já se soubesse qual o milagre, ou se as respectivas autoridades o tivessem considerado verídico... Mas não, o que se refere é apenas uma suposta "documentação com o relato da cura milagrosa".
Ainda se a notícia consistisse apenas numa breve referência, ocupando um espaço reduzido no jornal, podia entender-se... Mas ocupar duas páginas no início do jornal??
É defraudar o leitor sem qualquer peso na consciência, e acho que é jornalismo sem qualidade.
31 janeiro 2006
Revisor Procura-se
A título de curiosidade, deixo aqui um link para um anúncio em que se pede um revisor para jornal. Entre outras coisas, pede-se que o candidato tenha "domínio da língua portuguesa". Chamem-me exigente, mas não se devia sublinhar especialmente este requisito pedindo um "bom domínio da língua portuguesa"? É que exigir de um revisor que tenha domínio da língua portuguesa, acho que é o mínimo dos mínimos!
Pede-se também ao candidato que tenha, no mínimo, 10 anos de experiência no jornalismo, e valorizam-se os factores experiência e idade. Mas será que experiência (mesmo que 10 anos) no jornalismo, equivalem a ter um bom domínio da língua portuguesa?...
Enfim, deixo aqui as dúvidas, ainda como "achega" ao último post.
Pede-se também ao candidato que tenha, no mínimo, 10 anos de experiência no jornalismo, e valorizam-se os factores experiência e idade. Mas será que experiência (mesmo que 10 anos) no jornalismo, equivalem a ter um bom domínio da língua portuguesa?...
Enfim, deixo aqui as dúvidas, ainda como "achega" ao último post.
29 janeiro 2006
Leitores "cançados" de erros
Na página 59 da revista Domingo do Correio da Manhã, num artigo sobre o fotógrafo Eduardo Gageiro, lê-se a dado momento: "Cançado, a arfar, mas cheio de adrenalina (...)".
Sinceramente, custa-me a entender como é que erros destes passam...
Sinceramente, custa-me a entender como é que erros destes passam...
28 janeiro 2006
O Jornal dos Pobres
Não resisto a colocar aqui este artigo, que vem na última edição do Courrier Internacional:
"O quadro preto é o jornal dos pobres
"O quadro preto é o jornal dos pobres
À priori, o giz é uma substância inofensiva. Porém, nas mãos de Alfred Sirleaf, as autoridades liberianas viram nele uma arma mortal. O suficiente para o espancar, exibir nu pelas ruas e finalmente obrigá-lo ao exílio durante a guerra civil da Libéria.
Num país onde os jornais são um luxo para a minoria dos que sabem ler e onde os outros não têm evidentemente acesso a eles Sirleaf tentava colocar a informação ao alcance do maior número de pessoas com desenhos humorísticos e parangonas. Foi esse o seu crime. Todas as manhãs, abria a porta da casa de madeira a que chamava redacção e começava a escrever as notícias do dia num quadro preto giratório. Verificando a ortografia das palavras num dicionário dos anos 70, que um diplomata lhe oferecera, compunha cuidadosamente a primeira página do «Daily Talk», e rodava o quadro negro na direcção dos peões e dos condutores, nesta rua intrasitável de Monróvia.
O poder instituído não apreciou o seu sucesso popular e obrigou-o a fechar as portas. Mas, após dois anos de paz, Sirleaf decidiu que podia regressar ao seu país e assistir às primeiras eleições do pós-guerra na Libéria.
Assim, no momento em que uma antiga estrela de futebol e uma economista disputavam a presidência, Sirleaf encadeava as edições para informar os habitantes do seu bairro, demasiado pobres para comprarem um diário, ou mesmo para possuir um rádio. «A pobreza é um flagelo neste país, mas mesmo assim as pessoas têm o direito de saber o que se passa», explica este homem de trinta anos que não frequentou nenhuma escola de jornalismo e conta com a boa vontade dos vizinhos para dar vida à sua «redacção».
«Quero educar os liberianos», explica. «O mais importante é mantermo-nos neutros, embora haja sempre pessoas que nos acusam de sermos parciais. Assim, durante estas eleições, o facto de ter o mesmo nome qie uma das candidatas, prejudicou-me». A sua homónima, Ellen Johnson-Sirleaf, estudou em Harvard. Foi ela que ganhou as presidenciais, tornando-se a primeira mulher Chefe de Estado em África.
Num país ainda marcado pela guerra - as paredes de Monróvia estão crivadas de balas- sem água canalizada nem electricidade, mesmo na capital, onde a taxa de desemprego atinge os 80 por cento, a Presidente não tem tarefa fácil. Para Sirleaf, a corrupção está no centro do problema: vai manter debaixo de olho a nova equipa governamental para se assegurar de que esta não deita mãos aos recursos da Libéria (borracha ou diamantes), como fizeram as anteriores.
Sirleaf teve aborrecimentos no passado, quando criticou as despesas exorbitantes do Governo. Em 2000, fez um desenho de Charles Taylor, o senhor da guerra que nessa altura era Presidente, onde este era visto a distribuir dinheiro a torto e a direito numa discoteca nocturna, enquanto lá fora as pessoas morriam. Pouco depois, viu chegarem a sua casa, de jipe, alguns soldados que lhe rasgaram as roupas e o obrigaram a caminhar até ao palácio presidencial cobreto com uma simples ardósia. Os esbirros de Taylor destruíram-lhe a casa e ele teve de fugir para o Gana. Agora, está de novo em casa, cheio de esperança no futuro. «Há mais pessoas honestas do que canalhas na Libéria», assegura. «Chegou o momento de os honestos levarem a melhor».
Claire Soares, The Guardian, Londres"
Num país onde os jornais são um luxo para a minoria dos que sabem ler e onde os outros não têm evidentemente acesso a eles Sirleaf tentava colocar a informação ao alcance do maior número de pessoas com desenhos humorísticos e parangonas. Foi esse o seu crime. Todas as manhãs, abria a porta da casa de madeira a que chamava redacção e começava a escrever as notícias do dia num quadro preto giratório. Verificando a ortografia das palavras num dicionário dos anos 70, que um diplomata lhe oferecera, compunha cuidadosamente a primeira página do «Daily Talk», e rodava o quadro negro na direcção dos peões e dos condutores, nesta rua intrasitável de Monróvia.
O poder instituído não apreciou o seu sucesso popular e obrigou-o a fechar as portas. Mas, após dois anos de paz, Sirleaf decidiu que podia regressar ao seu país e assistir às primeiras eleições do pós-guerra na Libéria.
Assim, no momento em que uma antiga estrela de futebol e uma economista disputavam a presidência, Sirleaf encadeava as edições para informar os habitantes do seu bairro, demasiado pobres para comprarem um diário, ou mesmo para possuir um rádio. «A pobreza é um flagelo neste país, mas mesmo assim as pessoas têm o direito de saber o que se passa», explica este homem de trinta anos que não frequentou nenhuma escola de jornalismo e conta com a boa vontade dos vizinhos para dar vida à sua «redacção».
«Quero educar os liberianos», explica. «O mais importante é mantermo-nos neutros, embora haja sempre pessoas que nos acusam de sermos parciais. Assim, durante estas eleições, o facto de ter o mesmo nome qie uma das candidatas, prejudicou-me». A sua homónima, Ellen Johnson-Sirleaf, estudou em Harvard. Foi ela que ganhou as presidenciais, tornando-se a primeira mulher Chefe de Estado em África.
Num país ainda marcado pela guerra - as paredes de Monróvia estão crivadas de balas- sem água canalizada nem electricidade, mesmo na capital, onde a taxa de desemprego atinge os 80 por cento, a Presidente não tem tarefa fácil. Para Sirleaf, a corrupção está no centro do problema: vai manter debaixo de olho a nova equipa governamental para se assegurar de que esta não deita mãos aos recursos da Libéria (borracha ou diamantes), como fizeram as anteriores.
Sirleaf teve aborrecimentos no passado, quando criticou as despesas exorbitantes do Governo. Em 2000, fez um desenho de Charles Taylor, o senhor da guerra que nessa altura era Presidente, onde este era visto a distribuir dinheiro a torto e a direito numa discoteca nocturna, enquanto lá fora as pessoas morriam. Pouco depois, viu chegarem a sua casa, de jipe, alguns soldados que lhe rasgaram as roupas e o obrigaram a caminhar até ao palácio presidencial cobreto com uma simples ardósia. Os esbirros de Taylor destruíram-lhe a casa e ele teve de fugir para o Gana. Agora, está de novo em casa, cheio de esperança no futuro. «Há mais pessoas honestas do que canalhas na Libéria», assegura. «Chegou o momento de os honestos levarem a melhor».
Claire Soares, The Guardian, Londres"
26 janeiro 2006
O Poder da Escolha
Um dos casos polémicos da noite eleitoral foi o "corte" da palavra ao candidato Manuel Alegre.
Esse caso foi também alvo de discussão no programa de ontem do Clube de Jornalistas. Penso que é de salientar a posição do jornalista João Adelino Faria, que, quando questionado sobre a decisão tomada (neste caso pela SIC), admitiu que foi um erro. Um erro de que só se deram conta depois de já o terem cometido, pois, como explicou, a decisão teve que ser tomada em escassos segundos, e como tal não houve tempo para pensar.
Esse erro foi cometido por todos os canais, mas foi positivo ver um jornalista de um deles a admitir o erro. Sim, porque os jornalistas também têm direito de errar. Mas quando o fazem raramente o admitem...
Independentemente de outras possíveis culpas de responsáveis políticos, penso que as televisões não se podem demitir de uma parte de responsabilidade no que se passou. Era uma decisão difícil, que tinha de ser tomada em muito pouco tempo, compreende-se, mas é discutível se terá sido a mais correcta. Era, no fundo, uma questão de decidir o que tinha mais importância como notícia naquele momento: o discurso do candidato que tinha ficado colocado em segundo lugar, e como uma votação considerável, ou o do primeiro-ministro? As televisões escolheram o primeiro-ministro...
João Adelino Faria referiu ainda que a SIC teve o cuidado de corrigir imediatamente o erro, pondo de seguida no ar a gravação do discurso completo de Manuel Alegre. Não sei se as outras televisões fizeram o mesmo. Se não o fizeram, penso que seria bom que o tivessem feito. Sempre seria um mal menor...
Esse caso foi também alvo de discussão no programa de ontem do Clube de Jornalistas. Penso que é de salientar a posição do jornalista João Adelino Faria, que, quando questionado sobre a decisão tomada (neste caso pela SIC), admitiu que foi um erro. Um erro de que só se deram conta depois de já o terem cometido, pois, como explicou, a decisão teve que ser tomada em escassos segundos, e como tal não houve tempo para pensar.
Esse erro foi cometido por todos os canais, mas foi positivo ver um jornalista de um deles a admitir o erro. Sim, porque os jornalistas também têm direito de errar. Mas quando o fazem raramente o admitem...
Independentemente de outras possíveis culpas de responsáveis políticos, penso que as televisões não se podem demitir de uma parte de responsabilidade no que se passou. Era uma decisão difícil, que tinha de ser tomada em muito pouco tempo, compreende-se, mas é discutível se terá sido a mais correcta. Era, no fundo, uma questão de decidir o que tinha mais importância como notícia naquele momento: o discurso do candidato que tinha ficado colocado em segundo lugar, e como uma votação considerável, ou o do primeiro-ministro? As televisões escolheram o primeiro-ministro...
João Adelino Faria referiu ainda que a SIC teve o cuidado de corrigir imediatamente o erro, pondo de seguida no ar a gravação do discurso completo de Manuel Alegre. Não sei se as outras televisões fizeram o mesmo. Se não o fizeram, penso que seria bom que o tivessem feito. Sempre seria um mal menor...
"Entre a Espada e a Parede"
No programa de ontem do Clube de Jornalistas, cujo tema era "A cobertura das Presidenciais nos media portugueses", a jornalista Maria Flor Pedroso referiu uma questão que penso que talvez seja interessante para reflectir.
Maria Flor Pedroso falou de uma "limitação editorial" por parte dos políticos, que prejudica o trabalho dos jornalistas. Isto a propósito do modo como foram organizados os debates para as eleições presidenciais, e nomeadamente o modelo escolhido, e a recusa por parte dos candidatos de realizarem um debate com todas as candidaturas.
O que se verificou foi que as candidaturas fizeram exigências em relação aos debates, e os jornalistas aceitaram fazê-los nas condições exigidas. E perguntava Ribeiro Cardoso, moderador do programa de ontem, porque é que os jornalistas se sujeitaram a essas limitações. A questão é: teriam alternativa? Isto é, penso que os jornalistas foram postos "entre a espada e a parede", não tinham ali grande poder de decisão.
E é este um dos casos em que podemos ver o problema de que falava Maria Flor Pedroso, de uma limitação editorial por parte do poder político.
Uma limitação que muitas vezes deixa os jornalistas sem poder de manobra. E, como também foi referido no programa, quem mais fica a perder é o público.
Maria Flor Pedroso falou de uma "limitação editorial" por parte dos políticos, que prejudica o trabalho dos jornalistas. Isto a propósito do modo como foram organizados os debates para as eleições presidenciais, e nomeadamente o modelo escolhido, e a recusa por parte dos candidatos de realizarem um debate com todas as candidaturas.
O que se verificou foi que as candidaturas fizeram exigências em relação aos debates, e os jornalistas aceitaram fazê-los nas condições exigidas. E perguntava Ribeiro Cardoso, moderador do programa de ontem, porque é que os jornalistas se sujeitaram a essas limitações. A questão é: teriam alternativa? Isto é, penso que os jornalistas foram postos "entre a espada e a parede", não tinham ali grande poder de decisão.
E é este um dos casos em que podemos ver o problema de que falava Maria Flor Pedroso, de uma limitação editorial por parte do poder político.
Uma limitação que muitas vezes deixa os jornalistas sem poder de manobra. E, como também foi referido no programa, quem mais fica a perder é o público.
24 janeiro 2006
Alguém Se "Enganou"...
O Correio da Manhã noticia hoje que a TVI foi a estação mais vista na noite eleitoral.
Ora o que é curioso é que ontem ouvi a RTP dizer que tinha sido o seu o canal com maior audiência! Então em que ficamos? Há aqui alguém enganado... ou a querer enganar os telespectadores, o que é muito pior.
Ora o que é curioso é que ontem ouvi a RTP dizer que tinha sido o seu o canal com maior audiência! Então em que ficamos? Há aqui alguém enganado... ou a querer enganar os telespectadores, o que é muito pior.
21 janeiro 2006
19 janeiro 2006
Boas Ideias Vindas do Brasil
"Crianças em risco" foi o tema do programa Clube de Jornalistas de ontem.
Numa altura em que as notícias sobre crianças (e nomeadamente os maus tratos a que são sujeitas) são mais frequentes que nunca nos nossos meios de comunicação social, o Clube procurou analisar como é feita essa cobertura, o que está mal no modo como é feita, o que se pode fazer para melhorar o trabalho dos jornalistas quando abordam estes temas, entre outras questões discutidas.
Falando-se de uma necessidade de maior preparação dos jornalistas para abordar estes temas, o programa deu a conhecer um projecto existente no Brasil desde 2000, que se destina precisamente a fazer essa ponte entre os media e as questões que afectam as crianças. Trata-se da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), que entre muitas iniciativas, atribui o título de "Jornalista Amigo da Criança" a jornalistas que, pelo trabalho desenvolvido, tenham contribuido no sentido de um respeito pelos direitos das crianças e da construção de novos valores na sociedade em relação aos menores.
Junto-me aos intervenientes do Clube de Jornalistas de ontem quando manifestavam o desejo de ter um projecto semelhante cá em Portugal. Os bons exemplos são para se seguir. E a meu ver, este é mesmo um excelente exemplo...
Numa altura em que as notícias sobre crianças (e nomeadamente os maus tratos a que são sujeitas) são mais frequentes que nunca nos nossos meios de comunicação social, o Clube procurou analisar como é feita essa cobertura, o que está mal no modo como é feita, o que se pode fazer para melhorar o trabalho dos jornalistas quando abordam estes temas, entre outras questões discutidas.
Falando-se de uma necessidade de maior preparação dos jornalistas para abordar estes temas, o programa deu a conhecer um projecto existente no Brasil desde 2000, que se destina precisamente a fazer essa ponte entre os media e as questões que afectam as crianças. Trata-se da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), que entre muitas iniciativas, atribui o título de "Jornalista Amigo da Criança" a jornalistas que, pelo trabalho desenvolvido, tenham contribuido no sentido de um respeito pelos direitos das crianças e da construção de novos valores na sociedade em relação aos menores.
Junto-me aos intervenientes do Clube de Jornalistas de ontem quando manifestavam o desejo de ter um projecto semelhante cá em Portugal. Os bons exemplos são para se seguir. E a meu ver, este é mesmo um excelente exemplo...
18 janeiro 2006
(Vamos lá ver se os)Jornalistas Defendem a Língua Portuguesa...
Ora aqui está uma boa ideia. Se bem que acho que o título da notícia Jornalistas defendem a língua portuguesa, é questionável... deveriam defender, mas infelizmente sabemos que nem sempre isso acontece. Por isso mesmo, acho que são de louvar iniciativas como esta.
Não posso, no entanto, deixar de registar os "entraves" que desde logo Luís Marques põe a isto, dizendo que "o problema não é fácil de resolver, tendo em conta a pressão sobre os jornalistas na produção da informação", e que além disso é "um serviço pago". Não é fácil de resolver? De acordo, mas iniciativas como esta podem dar uma ajudinha, não? E parece-me que a pressão a que os jornalistas estão sujeitos também não pode servir de desculpa para tudo, porque há erros que se devem não a falta de tempo, mas a simples ignorância, e pior que a ignorância é a falta de cuidado em verificar se aquilo que se diz/escreve está correcto, o que não acredito que demore assim tanto tempo... Quanto ao preço a pagar pelo serviço... pois não sei quanto custará, mas será assim uma fortuna tão grande?...
Não posso, no entanto, deixar de registar os "entraves" que desde logo Luís Marques põe a isto, dizendo que "o problema não é fácil de resolver, tendo em conta a pressão sobre os jornalistas na produção da informação", e que além disso é "um serviço pago". Não é fácil de resolver? De acordo, mas iniciativas como esta podem dar uma ajudinha, não? E parece-me que a pressão a que os jornalistas estão sujeitos também não pode servir de desculpa para tudo, porque há erros que se devem não a falta de tempo, mas a simples ignorância, e pior que a ignorância é a falta de cuidado em verificar se aquilo que se diz/escreve está correcto, o que não acredito que demore assim tanto tempo... Quanto ao preço a pagar pelo serviço... pois não sei quanto custará, mas será assim uma fortuna tão grande?...
15 janeiro 2006
A Primeira Jornalista Portuguesa
"Numa época em que as mulheres estavam confinadas à família, à música e aos bordados, Antónia Pusich defendeu que deveriam também aprender a ler e a escrever para poderem participar na vida social e política do país. Através dos jornais que fundou despertou nas mulheres o sentido cívico que viria a ser uma realidade nos séculos que se lhe seguiram."
Antónia Gertrudes Pusich foi a primeira jornalista portuguesa.
Antónia Gertrudes Pusich foi a primeira jornalista portuguesa.
O Melhor e o Pior das Campanhas
Alguns jornais têm publicado junto às reportagens de cada dia da campanha eleitoral dos vários candidatos, pequenas notas que correspondem ao mais positivo e ao mais negativo desse dia de campanha.
Confesso que não vejo grande utilidade nesses apontamentos... Para além de serem questionáveis, porque implicam um juízo de valor por parte do jornalista, muitas vezes não dizem nada, isto é, a meu ver não acrescentam nada de realmente interessante, de informativo para o leitor. E, pior, às vezes nem se percebem bem, como este caso que vem hoje no Público, a propósito do dia de ontem da campanha de Cavaco Silva. Na parte do mais positivo, pode ler-se: "A capacidade de resistência dos apoiantes que pagam para ouvir Cavaco Silva discursar e o vêem ir embora, almoçado ou jantado, quando eles não sabem sequer «o que é o tacho»". Li várias vezes mas continuo sem perceber o que o jornalista quis dizer, e se afinal estava a elogiar ou a criticar.
Muitas das vezes, estes pequenos apontamentos resumem-se a comentários fúteis, e desprovidos de sentido, como se o jornalista não tivesse encontrado nada melhor para dizer. Encontro um exemplo (de entre muitos outros que poderia referir) na edição de hoje do Correio da Manhã, na reportagem relativa à campanha de Garcia Pereira. Naquilo que o jornalista elegeu como "o pior" pode ler-se: "Os pescadores, tímidos, fugiram das câmaras". Pergunto: em que é que este comentário é essencial, para mim, enquanto eleitora, para conhecer o candidato, neste caso Garcia Pereira? Pobres pescadores, nem eles escaparam aos imaginativos apontamentos dos jornalistas...
Confesso que não vejo grande utilidade nesses apontamentos... Para além de serem questionáveis, porque implicam um juízo de valor por parte do jornalista, muitas vezes não dizem nada, isto é, a meu ver não acrescentam nada de realmente interessante, de informativo para o leitor. E, pior, às vezes nem se percebem bem, como este caso que vem hoje no Público, a propósito do dia de ontem da campanha de Cavaco Silva. Na parte do mais positivo, pode ler-se: "A capacidade de resistência dos apoiantes que pagam para ouvir Cavaco Silva discursar e o vêem ir embora, almoçado ou jantado, quando eles não sabem sequer «o que é o tacho»". Li várias vezes mas continuo sem perceber o que o jornalista quis dizer, e se afinal estava a elogiar ou a criticar.
Muitas das vezes, estes pequenos apontamentos resumem-se a comentários fúteis, e desprovidos de sentido, como se o jornalista não tivesse encontrado nada melhor para dizer. Encontro um exemplo (de entre muitos outros que poderia referir) na edição de hoje do Correio da Manhã, na reportagem relativa à campanha de Garcia Pereira. Naquilo que o jornalista elegeu como "o pior" pode ler-se: "Os pescadores, tímidos, fugiram das câmaras". Pergunto: em que é que este comentário é essencial, para mim, enquanto eleitora, para conhecer o candidato, neste caso Garcia Pereira? Pobres pescadores, nem eles escaparam aos imaginativos apontamentos dos jornalistas...
Dislates Maciços
O jornalista Ricardo Dias Felner, autor de uma reportagem sobre as campanhas para as eleições presidenciais, hoje publicada no jornal Público, parece ter tido dificuldades em acertar com o adjectivo "maciça". Pode ler-se no terceiro parágrafo: "Quando o PÚBLICO bateu na porta massiça (...)". Mas o vocabulário não lhe faltou para escrever que "Cavaco teve o primeiro dislate caricatural (...).
É a prova de como às vezes se descuram as coisas mais simples... Que, no caso de dúvida, se poderia ter evitado ao consultar um dicionário. O mesmo que contém a palavra dislate, equivalente a disparate, despautério.
É a prova de como às vezes se descuram as coisas mais simples... Que, no caso de dúvida, se poderia ter evitado ao consultar um dicionário. O mesmo que contém a palavra dislate, equivalente a disparate, despautério.
12 janeiro 2006
Uns São Mais Candidatos Que Outros...
Penso que é inegável que o candidato à Presidência da República Garcia Pereira tem sido alvo de discriminação por parte da cobertura televisiva. Esse facto aliás já foi alvo de reparo por parte da AACS.
Entretanto, as televisões lá vão tentando "emendar a mão" como se viu hoje com a entrevista de Judite de Sousa a Garcia Pereira.
Entretanto, as televisões lá vão tentando "emendar a mão" como se viu hoje com a entrevista de Judite de Sousa a Garcia Pereira.
"Acarrétar"?!
Quando numa reportagem da SIC Notícias, um jornalista pronuncia "acarrétar" em vez de "acarretar", pergunto-me se será ignorância ou vontade de renovar a língua portuguesa... Não sei qual das hipóteses será mais preocupante... Mas dá-me vontade de mudar de canal.
10 janeiro 2006
Jornalistas na Corda Bamba
"Desemprego: Jornalistas na corda bamba" , um artigo de Vanda Ferreira na edição nº 24 na revista Jornalismo e Jornalistas.
Uma visão geral, e quanto a mim muito útil, da actual situação do (des)emprego na área do jornalismo, e das expectativas daqueles que estão agora a estudar para ser jornalistas.
Como é sabido, o cenário não é nada cor-de-rosa...
Uma visão geral, e quanto a mim muito útil, da actual situação do (des)emprego na área do jornalismo, e das expectativas daqueles que estão agora a estudar para ser jornalistas.
Como é sabido, o cenário não é nada cor-de-rosa...
07 janeiro 2006
"A Internet assassinou os correspondentes"
A opinião é de Ramon Font, presidente da Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal.
Fica aqui o link para quem quiser ler a entrevista, e ficar a saber um pouco mais sobre a situação actual dos correspondentes estrangeiros.
Fica aqui o link para quem quiser ler a entrevista, e ficar a saber um pouco mais sobre a situação actual dos correspondentes estrangeiros.
O Esperado Regresso do Provedor do Público
Uma boa notícia no início de 2006: o Púbico voltou a ter Provedor. O jornalista Rui Araújo, novo ocupante do cargo, publica amanhã o seu primeiro texto.
05 janeiro 2006
Notícias tristes...
63. É o número de jornalistas mortos este ano... As notícias tristes de quem luta para levar as notícias aos outros...
04 janeiro 2006
Soares e a SIC
Acusações destas devem ser devidamente fundamentadas. Em que se baseia Mário Soares para dizer o que disse? Que dados concretos tem ele para o sustentar?
Se forem acusações verdadeiras, o público tem o direito de saber em que se fundamentam. Mas se forem falsas, são acusações muito graves, que põem em causa o prestígio de um canal de televisão, e dos profissionais que aí trabalham. E os jornalistas também não podem continuar a servir de "bode expiatório" no meio de querelas eleitorais...
Se forem acusações verdadeiras, o público tem o direito de saber em que se fundamentam. Mas se forem falsas, são acusações muito graves, que põem em causa o prestígio de um canal de televisão, e dos profissionais que aí trabalham. E os jornalistas também não podem continuar a servir de "bode expiatório" no meio de querelas eleitorais...
Missão Jornalística ou Obtenção de Substâncias Ilícitas?
Não sou leitora do jornal Tal&Qual, e como tal não sabia deste caso noticiado hoje pelo Correio da Manhã. Mas parece-me curioso, e quem sabe uma boa oportunidade para reflectir sobre os limites da liberdade de imprensa.
O director do Tal&Qual refere a lei de imprensa para se defender, mas onde está o artigo que lhe assegure a impunidade num caso destes? Deve a PJ "ignorar" que o jornal adquiriu substâncias ilícitas, apenas porque o fez no contexto de uma reportagem jornalística? Estão os jornalistas acima da lei?
Na capa dessa edição do Tal&Qual pode ler-se: "Comprar não podia ser mais fácil e está ao alcance de todos", ao que ainda se acrescenta um destaque: "Nós já a recebemos!". Serviço público? Ou a quem quer consumir droga?
Parece-me que as questões a avaliar seriam: esta informação é importante para a sociedade? Se sim, como as vamos transmitir? É que há várias formas de dar a mesma notícia... e aí é que se vê a diferença entre um jornalismo sério e um jornalismo sensacionalista que em nome do "interesse público" acha que pode fazer tudo, e que está acima da lei...
O director do Tal&Qual refere a lei de imprensa para se defender, mas onde está o artigo que lhe assegure a impunidade num caso destes? Deve a PJ "ignorar" que o jornal adquiriu substâncias ilícitas, apenas porque o fez no contexto de uma reportagem jornalística? Estão os jornalistas acima da lei?
Na capa dessa edição do Tal&Qual pode ler-se: "Comprar não podia ser mais fácil e está ao alcance de todos", ao que ainda se acrescenta um destaque: "Nós já a recebemos!". Serviço público? Ou a quem quer consumir droga?
Parece-me que as questões a avaliar seriam: esta informação é importante para a sociedade? Se sim, como as vamos transmitir? É que há várias formas de dar a mesma notícia... e aí é que se vê a diferença entre um jornalismo sério e um jornalismo sensacionalista que em nome do "interesse público" acha que pode fazer tudo, e que está acima da lei...
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Arquivo
-
▼
2006
(97)
-
▼
dezembro
(22)
- Jornal Mais Antigo Vai Deixar De Ser Impresso
- Bom Ano Novo
- Proposta de Leitura
- Parabéns
- Porque é preciso arriscar...
- Semelhanças...
- Mas Ainda Mais Importante que Saber se Pinto da Co...
- A Questão Fundamental do "Apito Dourado"
- A Imaginação dos Publicitários não Tem Limites...
- Má Informação
- Outonos Amenos Pouco Amenos
- A Personagem Mistério
- "O Sangue dos Outros"
- ?...
- Informação de Serviço Público
- Para o Caso de Alguém Ainda Não Ter Percebido...
- E Por Falar Em Coisas Incompreensíveis...
- Acata... Quê??
- A Gente Descobre Cada Coisa...
- "Big" Primeira Página
- "Show, Don't Tell"
- Grande (?) Entrevista
-
►
março
(18)
- Sem comentários...
- Apocalipses...
- A Realidade Apresentada Pelos Media: Um caso Espec...
- Semelhanças...
- "Todos a Dormir"?
- Um Projecto Interessante
- A Velha Questão da Ordem
- Um Ano
- Provedores
- Descubra As Diferenças...
- Só Faltava Esta...
- E Pelos Vistos Há Mais Quem Não Tenha Percebido
- Defesa de Quê?...
- Informações Um Bocado Trocadas...
- "Gayola"?
- Será Possível?!
- A Importância dos Jornais nas Escolas
- Notícias Com Poder Terapêutico
-
►
fevereiro
(21)
- A Verdade Nua e Crua
- Ainda os Estágios
- A Não Perder
- Os Culpados de Sempre
- Estão Mesmo a Falar a Sério?...
- Liberte o Jornalista Que Está Dentro de Si (Não Pr...
- É Assim Tão Difícil?...
- Vale a Pena Ler...
- Haveria necessidade?...
- Os Erros Que Se Destacam no "Destak"
- A Ida de Felgueiras a Fátima
- World Press Photo
- Os "Mupis"
- "Agitação na Lusa" (Actualização)
- Manuela e os "Atrasados Mentais"
- A Relatividade dos Valores-Notícia
- "Agitação na Lusa"
- As Televisões do País do Euromilhões
- Jornalistas Com Alguma Experiência (Mas Bem Pareci...
- Milagre! O Milagre Apareceu!
- O Milagre das Notícias Ocas
-
►
janeiro
(21)
- Revisor Procura-se
- Leitores "cançados" de erros
- O Jornal dos Pobres
- O Poder da Escolha
- "Entre a Espada e a Parede"
- Alguém Se "Enganou"...
- Onde Será Que Eu Já Vi Isto?...
- Boas Ideias Vindas do Brasil
- (Vamos lá ver se os)Jornalistas Defendem a Língua ...
- A Primeira Jornalista Portuguesa
- O Melhor e o Pior das Campanhas
- Dislates Maciços
- O "Acordo Discriminador"
- Uns São Mais Candidatos Que Outros...
- "Acarrétar"?!
- Jornalistas na Corda Bamba
- "A Internet assassinou os correspondentes"
- O Esperado Regresso do Provedor do Público
- Notícias tristes...
- Soares e a SIC
- Missão Jornalística ou Obtenção de Substâncias Ilí...
-
▼
dezembro
(22)