"If I ever allow genuine compassion to be overtaken by personal ambition, I will have sold my soul" - James Nachtwey

23 fevereiro 2006

Liberte o Jornalista Que Está Dentro de Si (Não Precisa de Curso)

É uma questão antiga, mas precisamente por se manter inalterada, penso que vale a pena voltar a ela.
Falo do acesso a profissão de jornalista. E do facto de não ser preciso ter formação na área, para se aceder à profissão. Por outras palavras: qualquer um pode ser jornalista!
Sobre isto, a lei diz, no Estatuto do Jornalista, no Artigo 5º, que regula o acesso à profissão:
"1- A profissão de jornalista inicia-se com um estágio obrigatório, a concluir com aproveitamento, com a duração de 24 meses, sendo reduzido a 18 meses em caso de habilitação com curso superior, ou a 12 meses em caso de licenciatura na área da comunicação social ou de habilitação com curso equivalente, reconhecido pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.
2- O regime de estágio, incluindo o acompanhamento do estagiário e a respectiva avaliação, será regulado por portaria comjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do emprego e da comunicação social."
Já no artigo 2º pode ler-se que "podem ser jornalistas os cidadãos maiores de 18 anos em pleno gozo dos seus direitos civis."
Ou seja, na prática, quem está a investir num curso da área do jornalismo, quando chegar ao momento de aceder à profissão, não só terá que competir com outras pessoas da sua área (o que já é um número considerável), mas também com pessoas de outras áreas que podem nada ter a ver com o jornalismo.
Sinceramente, nunca consegui perceber esta "universalidade" do acesso à profissão de jornalista. Eu, com um curso na área das Ciências da Comunicação, não posso desempenhar funções de médica, ou de economista, ou de engenheira, por exemplo! Então porque é que pessoas de outras áreas podem ser jornalistas?
Confesso que não entendo porque se mantém esta lei...


4 comentários:

Entropic Thing disse...

Tu até sabes porquê. Só há muito tempo se começou a pensar no Jornalismo com uma área que engloba saberes específicos, os próprios cursos de jornalismo e ciências da comunicação são muito recentes em Portugal. Eu acredito que vai haver uma alteração na lei, pode é levar o seu tempo.

Joana Capitão disse...

Pois, mas não me parece que isso seja justificação.
Já é mais que tempo de se levar a sério a profissão de jornalista, e sobretudo de lhe atribuir a responsabilidade e as exigências de saberes que ela merece.
E a lei também não é assim tão antiga, entretanto já tinham tido obrigação de actualizar tendo em conta a emergência dos cursos na área do jornalismo e das ciências da comunicação!
Enfim, é a minha opinião... mas pode ser que haja aqui razões que desconheço para as coisas serem assim...

Alessandro_PPG disse...

Olá! Estou divulgando o meu blog e meu site: www.ilustrada.ppg.br! Abraços!

Entropic Thing disse...

Esta questão faz-me lembrar aquela questão sobre o jornalismo seria ou não uma profissão e remete-me também para aquela outra questão, que foi a da criação de uma ordem dos jornalistas. Eu até entendo o motivo pelo qual a ideia não foi muito popular, mas talvez tivesse ajudado a legitimar a profissão aos olhos de quem está de fora.
Talvez (com ênfase no "talvez") permitisse equiparar o jornalismo às profissões "dignas" e "respeitáveis".
Por que carga de água um médico pode invocar sigilo profissional e um jornalista vê-se, muitas vezes, obrigado a revelar as suas fontes? É verdade, pode optar por seguir a sua ética e recusar-se, mas aí terá de sofrer as consquências. Para mim, um dos motivos desta diferenciação (porque há outras) tem a ver com o estatuto das profissões.
A lei tem de mudar.