"If I ever allow genuine compassion to be overtaken by personal ambition, I will have sold my soul" - James Nachtwey

14 abril 2006

The End

Hoje escrevo aquele que será o último post deste blogue.
Tão naturalmente como decidi iniciá-lo há cerca de um ano atrás, sinto agora que chegou a altura de lhe pôr um ponto final.
Este blogue começou sem um destino claramente traçado, isto é, sem grande regras e objectivos fixos. Mas pretendia ser um espaço de crítica e reflexão sobre os meios de comunicação social. Um espaço onde eu, ocupando duplamente o papel de consumidora dos media e futura profissional dos mesmos, pudesse partilhar as minhas reflexões, espantos, às vezes indignações com o que se passa nesta área.
Com algumas paragens e hesitações pelo meio, o blogue foi seguindo o seu caminho, e julgo que cativando alguns leitores fixos. Foi muito gratificante ver que havia quem gostasse de visitar este cantinho, e quem se espantasse, indignasse e reflectisse também.
Hoje, um ano e pouco depois de ter iniciado este projecto, sinto que chegou a altura de o terminar. De dizer adeus, ou até à próxima (quem sabe se se seguirão outros projectos...)
Só me resta agradecer aos amigos que me apoiaram e que me incentivaram a continuar. A todos os que se foram tornando frequentadores assíduos deste blogue. Aos que gostavam de vir dar uma espreitadela de vez em quando. Aos que o enriqueceram com comentários construtivos. Enfim, a todos os que me ajudaram a construir este projecto, porque afinal nada disto faria sentido se estivesse a escrever só para mim.
A todos muito obrigada! Espero que tenham apreciado boas viagens neste "País Encantado das Notícias"!

07 abril 2006

Um Assunto de Interesse Nacional...

06 abril 2006

A Sempre Imaginativa "Focus"


Interessante, esta capa da Focus... O título "acusados de pornografia" central, a letras bem vermelhas. Lemos em cima que se refere aos actores de "Morangos com Açúcar", mas aparece no meio das fotografias de Paes do Amaral e Balsemão...
O leitor menos avisado, à primeira vista até podia confundir as personagens... É que com os "morangos" tão escondidos lá atrás...

05 abril 2006

Futebol (?) e Constituição

Dia de grande jogo. Já se sabe como o país vibra com o futebol. Já se sabe o espaço (muitas vezes criticado por ser demasiado) que este ocupa na agenda mediática...
Mas quando oiço de manhã, na Antena 1, uma edição especial emitida a partir de Barcelona, em que as entrevistadas são portuguesas que trabalham e vivem em Barcelona, a falar das suas vidas e das suas experiências naquela cidade, questiono-me realmente até que ponto chegámos. Qual o interesse daquilo? Qual a relação com o jogo de futebol?
Segue-se, na mesma estação, a "Antena Aberta", habitual fórum de opinião dos ouvintes. Oiço que o tema hoje é a Constituição Portuguesa. Perguntam aos ouvintes coisas como: Acha que a constituição está bem como está? Acha que devia haver alterações? Quais? Não tive oportunidade de ouvir as intervenções, mas quase que podia adivinhar que a maior parte das pessoas não tinha grande coisa a dizer... Ou pelo menos não sabia o que estava a dizer. Porque, sejamos razoáveis, será que a maior parte do povo português tem assim um conhecimento tão profundo da Constituição, que se possa pronunciar sobre estas questões? Não querendo subestimar os conhecimentos dos portugueses, tenho as minhas dúvidas...

Algo Está Errado...

Há algo de errado com este título...

Já descobriu o que é? Pois é, trata-se de uma notícia que vem hoje no Público sobre o julgamento do caso de Vanessa... Pois, Vanessa, e não Joana!!

03 abril 2006

"E Que Tal Vender Uns Jornalitos?"

Parece inegável que hoje o papel da imprensa está longe de ser aquele que era há anos atrás. E muito menos aquele que era há décadas. A quebra acentuada das vendas de jornais vem sustentá-lo.
Um texto de Miguel Gaspar, publicado hoje no Diário de Notícias, vem dar mais um contributo para a refexão sobre o papel da imprensa nos dias de hoje: "E que tal vender uns jornalitos?"

31 março 2006

Sem comentários...

Na edição de ontem do Destak:

30 março 2006

Apocalipses...

O Diário de Notícias publica hoje um texto de opinião de Ruben de Carvalho. Sob o título "Apocalípticos e Integrados", continuação de um texto publicado na passada quinta-feira, Ruben de Carvalho expõe a sua preocupação em relação à diminuição do índice de leitura de jornais, e à transposição do conteúdo dos jornais, para edições online.
Na sua opinião, esta transposição "é insuficiente do ponto de vista cultural", por razões que expõe ao longo do texto. Só não apresenta soluções. Não concebe alternativas para resolver aquilo que considera ser um discurso jornalístico predominantemente "monocórdico"... Quais seriam então os caminhos a adoptar pelas edições online? E será que são assim tão monocórdicas? E será que as tecnologias, com todas as potencialidades que oferecem, não têm capacidade de introduzir novidade? Serão insuficientes do ponto de vista cultural? Ou será que oferecem um outro ponto de vista cultural?
Ficam as questões...

27 março 2006

A Realidade Apresentada Pelos Media: Um caso Específico

Nos últimos dias, as notícias do regresso forçado de milhares de portugueses emigrantes no Canadá, têm enchido páginas de jornais e preenchido largos minutos de telejornais.
Mas parece-me que neste, como noutros casos, para lá da exposição emotiva da problemática em causa, fazia falta uma análise mais fria, fazia falta que se colocassem algumas questões que não vejo ser colocadas...
Pelo menos eu, enquanto consumidora de informação, não me sinto totalmente informada em relação ao que está em causa. Só sei que de um momento para o outro temos um enorme drama de milhares de pessoas a serem forçadas a regressar em pouco tempo de um país no qual estavam há vários anos, onde tinham uma vida feita, tinham carro, casa, etc. Muito bem. Mas não sei quais as razões que os levaram a estar ilegais durante tanto tempo; não se legalizaram porque não queriam? Porque não puderam? E já agora, qual é a lei de imigração no Canadá? Obviamente que não poderia ser exposta de forma exaustiva, mas se calhar não ficava mal um breve resumo dos principais requisitos para a legalização naquele país... Eu não sei quais são, e calculo que a maior parte das pessoas não saiba...
Os media supostamente têm também a função de ajudar a compreender a realidade, de explicar, em determinada situação, aquilo que está em causa. Mas o que se vê, muitas vezes, é que procuram mais o espectáculo e a dramatização do momento, do que se preocupam em que a opinião pública perceba o que está em causa. E depois de todo aquele "calor" do momento, de repente tudo desaparece, já não vende, já cansa, cai no esquecimento. E nós ficámos sem saber o que realmente estava ali em questão.
Às vezes tenho dúvidas se isto será realmente informação...

Semelhanças...

Não deixa de ser interessante quando as edições de dois jornais parecem ser em parte uma fotocópia uma da outra... A foto devia ser mesmo muito boa...






25 março 2006

"Todos a Dormir"?

Será que os jornalistas deveriam seriamente repensar a sua profissão?
"Todos a dormir", um texto do Director de Informação da SIC, coloca questões relativas ao papel actual do jornalista, e defende que os jornalistas precisam de repensar a sua profissão "antes que alguém o faça por eles".

Um Projecto Interessante

A Velha Questão da Ordem

A questão da existência de uma Ordem dos Jornalistas, voltou a estar em cima da mesa, após declarações de Emídio Rangel, no 5º Congresso de Jornalismo Social da CAIS.
A verdade é que, no que diz respeito a este assunto, as opiniões dos jornalistas continuam a dividir-se. Sabe-se porém que a posição dominante é desfavorável à constituição desta Ordem.
Parece-me, no entanto, uma questão para reflectir: há quem defenda que uma Ordem dos Jornalistas podia ser o caminho para uma determinação mais clara daquilo que é o Código Deontológico da profissão, e assegurar um melhor desempenho e responsabilização dos profissionais do jornalismo. Mas também há quem se oponha, e nomeadamente quem conteste o carácter de obrigatoriedade de inscrição na Ordem. Será que o problema está no individualismo inerente à profissão de jornalista?
Deveriam os jornalistas, a par com outras profissões, estar organizados numa Ordem? Resultaria isso na prática? E, parece-me a questão mais importante: resolveria os principais problemas que afectam esta profissão?

22 março 2006

Um Ano

No País Encantado das Notícias completa hoje um ano de vida.
A todos os que ao longo deste ano foram visitando e comentando neste blogue, o meu obrigado.

21 março 2006

Provedores

O sociólogo Paquete de Oliveira foi convidado pela administração da RTP para ocupar o cargo de provedor do espectador.
Por definir, está ainda o nome do provedor dos ouvintes, na rádio.
E falta saber também quando entrarão em funções os dois provedores...

17 março 2006

Descubra As Diferenças...


12 março 2006

Só Faltava Esta...

Para além de tudo o mais de que os jornalistas já são acusados, o governo dos EUA quer agora acrescentar algo novo: invocou uma lei com 90 anos, para, apoiando-se nela, julgar os jornalistas por espionagem.
Isso mesmo, nem mais nem menos.
Cuidado, eles andam aí, esses jornalistas espiões...

11 março 2006

E Pelos Vistos Há Mais Quem Não Tenha Percebido

Parece que não fui a única a não entender muito bem onde Júlio Magalhães queria chegar com o seu "Em legítima defesa!". Ou dizendo de outra maneira: houve mais quem chegasse às mesmas conclusões...
No site do Clube de Jornalistas, JAG escreve, sob o título "Comentário Cabalístico", na secção Registo, um comentário ao texto de Júlio Magalhães.

10 março 2006

Defesa de Quê?...

O jornalista Júlio Magalhães escreve hoje no Diário de Notícias um texto sob o título "Em legítima defesa!", no qual comenta a questão do princípio do contraditório suscitada pelos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa.
Mas o raciocínio de Júlio Magalhães falha numa coisa: é que no caso da TVI estamos perante um canal privado, e no caso da RTP falamos obviamente do operador público de televisão. Ora, parece-me a mim que este pormenor é bastante importante!
O jornalista questiona porque é que só quando Marcelo saiu para a RTP, se levantou toda a questão do contraditório. Pois, se calhar precisamente por isso, porque se tratava da estação pública, que tem, mais que qualquer outro canal, deveres de assegurar o pluralismo, deveres aliás previstos na lei!
O que este texto acaba por parecer afinal de contas é um veículo de "propaganda" das audiências da TVI, contra as da RTP, e um auto-elogio ao modelo da estação em que trabalha. Sinceramente, não consigo tirar dele mais nenhuma conclusão...

08 março 2006

Informações Um Bocado Trocadas...

O jornal Destak diz hoje, numa notícia breve, que José Ramos Horta é o convidado da Fundação Oriente para uma conferência, no dia 10 de Março, na sede da fundação.
Têm a certeza?... É que eu sei de uma conferência de Ramos Horta nesse mesmo dia, mas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova.
Pormenores...

"Gayola"?

E eis que esta semana, a Focus nos surpreende com um título de qualidade criativa superior:E a criatividade é tanta, que reinventaram o conceito de "sair do armário". Agora é "sair da gaiola", perdão, "gayola". Deve ser influência da gripe das aves...

Será Possível?!

"De bradar aos infernos"- um texto de Acácio Barradas que relata uma situação realmente inacreditável.

06 março 2006

A Importância dos Jornais nas Escolas

O Público trazia ontem uma notícia, na qual dava conta de um estudo realizado na Finlândia, que liga a leitura de jornais às competências de alunos de 15 anos, nas áreas da matemática, literatura e ciências.
O relatório, patrocinado pela associação finlandesa de jornais (o que, por muito que não se queira, acrescenta aqui alguma desconfiança), sugere que o elevado nível de leitura de jornais é um factor que ajuda a explicar que nas duas avaliações feitas até agora, a Finlândia se tenha destacado nas três áreas testadas.
Quase seis em cada dez alunos finlandeses disseram ler jornais várias vezes por semana e 26 por cento várias vezes por mês. Os que se saíram melhor na avaliação, terão sido os que liam várias vezes por semana.
A nível de leitura, principalmente, os alunos demonstraram uma grande facilidade, que os investigadores explicam pelo hábito de ler textos jornalísticos, o que desenvolve as suas competências.
Mas os elevados níveis de leitura de jornais estão também associados a melhores competências em ciência e matemática. Isto poderá explicar-se por, através dos jornais, os alunos tomarem contacto com situações do dia-a-dia.
Por fim, os alunos demonstraram também vontade de prosseguir com os hábitos de leitura.
Conclusão: o relatório sugere que os jornais devem ser valorizados pelas escolas como material de aprendizagem.
Concordo plenamente com esta conclusão! Mas nem quero pensar qual seria o resultado do estudo, se se fizesse um inquérito parecido cá em Portugal...
-"Lês jornais?"
-"Não, não tenho tempo, tenho de ver os Morangos com Açúcar"

03 março 2006

Notícias Com Poder Terapêutico

A jornalista da RTP, Daniela Santiago, lança hoje em livro a sua tese de mestrado intitulada "O Reconforto da Televisão (uma visão diferente sobre a tragédia de Entre-os-Rios)", na qual defende que os media podem ajudar a ultrapassar a dor de uma tragédia.
Não sei até que ponto psicologicamente isso poderá fazer sentido, nem conheço o conteúdo da tese. Mas, por aquilo que me é dado a ler na notícia, parece-me assim uma teoria um bocado "forçada"... Do estilo: Não há problema nenhum se fizemos um péssimo trabalho a cobrir esta tragédia, e se explorámos a dor das pessoas, porque nós, jornalistas, até somos tão bonzinhos, que ajudámos a superar o momento dramático por que aquelas pessoas estavam a passar.
Pode ser uma interpretação errada da minha parte, mas o que temo é que estas teses de cariz psicológico sirvam de escudo para a forma errada como se cobriu este e se venham a cobrir outros acontecimentos dramáticos no futuro.
As notícias podem ajudar a reconfortar as vítimas? Pode ser que sim... Mas que isso não sirva para descansar a consciência dos jornalistas.

28 fevereiro 2006

A Verdade Nua e Crua

Paulo F.Silva, editor do Jornal de Notícias, em entrevista ao Notícias Lusófonas, diz, a propósito dos cursos de jornalismo, e do desemprego para que são "atirados" muitos dos que saem de lá:
"Estou convencido que, de facto, as universidades estão a fabricar licenciados para o desemprego, porque não há mercado de trabalho, neste sector, que consiga absorver tanta gente, é impossível. E não consigo entender como os sucessivos governos não querem ver esta dura realidade. Qualquer jovem que entra num curso de jornalismo ou de comunicação, seja qual for a designação, não percebe o engodo mercantil, e aspira, com inteira justiça, a ser jornalista. Mas não há redacções para todos eles, nem uma pequena parte. E os que conseguem acabam subjugados ao poder vigente, porque foi esse mesmo poder que, curiosamente, lhes permitiu chegar à tão ambicionada profissão. De qualquer modo, o acesso à profissão não é feito pela via da formação académica, o trajecto é outro, depende de quem manda, e as regras são tão opacas e arbitrárias que nem consigo percebê-las para as explicar."

Ainda os Estágios

O protocolo dos estágios curriculares está em vigor desde Junho de 2005, e foi subscrito pelo Sindicato dos Jornalistas, a Confederação de Meios, e a Inspecção Geral do Trabalho.
Era bom que todas estas regras fossem cumpridas, lá isso era...

A Não Perder

"Estágios no Jornalismo" é o próximo tema do Clube de Jornalistas, transmitido amanhã, às 23.30, e repetido na quinta-feira às 15.00, na RTP2.
Um programa a não perder, especialmente para os futuros jornalistas.

25 fevereiro 2006

Os Culpados de Sempre

Está em análise uma proposta de alteração ao Código Penal, que poderá punir os jornalistas caso se presuma que as suas investigações possam pôr em causa uma investigação criminal.
É a velha questão do Segredo de Justiça. E, quanto a mim, a velha solução hipócrita, que é punir os jornalistas. E hipócrita porquê? Porque se actua sempre sobre os mesmos, ou seja, aqueles que divulgam a informação (que é o seu trabalho), e se esquecem aqueles que passam a informação para os jornalistas. Sim, porque os jornalistas não têm acesso aos processos por "obra e graça do Espírito Santo"! Alguém tem de lhes dar acesso a ela, certo?
Pois é, mas depois há uma coisa que se chama deontologia, e que não permite aos jornalistas divulgar as suas fontes de informação. Resultado: ficam "entre a espada e a parede".
Ouve-se falar de medidas mais punitivas para as violações de segredo de justiça, mas nunca se anunciam medidas para assegurar uma melhor preservação desse segredo! Afinal, se há tantas fugas, é porque se calhar algo está a funcionar mal... Mas não, a culpa é dos jornalistas, que têm a mania de "meter o nariz" onde não devem...

Estão Mesmo a Falar a Sério?...

23 fevereiro 2006

Liberte o Jornalista Que Está Dentro de Si (Não Precisa de Curso)

É uma questão antiga, mas precisamente por se manter inalterada, penso que vale a pena voltar a ela.
Falo do acesso a profissão de jornalista. E do facto de não ser preciso ter formação na área, para se aceder à profissão. Por outras palavras: qualquer um pode ser jornalista!
Sobre isto, a lei diz, no Estatuto do Jornalista, no Artigo 5º, que regula o acesso à profissão:
"1- A profissão de jornalista inicia-se com um estágio obrigatório, a concluir com aproveitamento, com a duração de 24 meses, sendo reduzido a 18 meses em caso de habilitação com curso superior, ou a 12 meses em caso de licenciatura na área da comunicação social ou de habilitação com curso equivalente, reconhecido pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.
2- O regime de estágio, incluindo o acompanhamento do estagiário e a respectiva avaliação, será regulado por portaria comjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do emprego e da comunicação social."
Já no artigo 2º pode ler-se que "podem ser jornalistas os cidadãos maiores de 18 anos em pleno gozo dos seus direitos civis."
Ou seja, na prática, quem está a investir num curso da área do jornalismo, quando chegar ao momento de aceder à profissão, não só terá que competir com outras pessoas da sua área (o que já é um número considerável), mas também com pessoas de outras áreas que podem nada ter a ver com o jornalismo.
Sinceramente, nunca consegui perceber esta "universalidade" do acesso à profissão de jornalista. Eu, com um curso na área das Ciências da Comunicação, não posso desempenhar funções de médica, ou de economista, ou de engenheira, por exemplo! Então porque é que pessoas de outras áreas podem ser jornalistas?
Confesso que não entendo porque se mantém esta lei...


21 fevereiro 2006

É Assim Tão Difícil?...

Será assim tão difícil para a maior parte dos jornalistas, meterem na cabeça que a presença de álcool no sangue se pronuncia "alcoolemia" e não "alcoolémia"?
É só um acento... nem custa muito...

18 fevereiro 2006

Vale a Pena Ler...

... a entrevista dada pelo jornalista Carlos Narciso ao Notícias Lusófonas.
Fica aqui o link.

16 fevereiro 2006

Haveria necessidade?...

Será que havia necesidade de pôr na capa imagens como estas, relativas às torturas no Iraque?...


13 fevereiro 2006

Os Erros Que Se Destacam no "Destak"

Estes são apenas dois dos erros que se podem encontrar na edição de hoje do gratuito Destak:


Neste caso, o jornal propõe-se contribuir para melhorar os conhecimentos de língua portuguesa dos leitores. Iniciativa de louvar. Só é pena que, quando pretendem indicar qual a forma correcta de escrever a palavra, a acabem por escrever com o mesmo erro!

Neste outro caso, simplesmente trocou-se um 'g' por um 'b' no título de uma notícia sobre o líder espiritual dos muçulmanos ismaelitas. Erro de distracção, com certeza, mas que se podia evitar.

Alguém me dizia hoje a propósito disto: "Como é gratuito, não podemos reclamar". Pois eu digo que não só podemos, como devemos! Não é por um jornal ser gratuito que não tem deveres para com os leitores! Além de que não nos podemos esquecer de que é precisamente o número de leitores que contribui para aumentar as receitas publicitárias. Portanto, de certa forma, estamos a pagar o jornal. "O Destak é o gratuito com maior número de leitores", publicita o jornal, com grande pompa e circunstância. Pena que isso não seja indicador de qualidade...
Por duas vezes exerci o meu direito como leitora de reclamar por erros que encontrei no jornal, enviando um e-mail. Da primeira vez, recebi de volta um simpático e-mail, a agradecer o reparo, que, segundo o Destak, se devia a um erro da fonte (o que não era desculpa). Da segunda vez, já devem ter achado que era demais, e não se dignaram a responder. É pena, porque só lhes tinha ficado bem...
Desta vez não vou incomodar mais os senhores do Destak. Mas deixo aqui, o meu direito, enquanto leitora, de não gostar de ver erros no jornal que estou a ler. E acho que é legítimo.

11 fevereiro 2006

A Ida de Felgueiras a Fátima

Será que alguém me explica porque é que a ida de Fátima Felgueiras ao santuário de Fátima, com mais cerca de 3000 pessoas de Felgueiras, alegadamente "para agradecer a vitória da autarca nas eleições" é notícia nos telejornais?
Que critério noticioso foi utilizado?
Para além de ser uma especulação afirmar que Fátima Felgueiras e as outras pessoas foram ali para agradecer seja o que for, mesmo que seja verdade, o que é que isso interessa?!
A notícia havia de ter alguma intenção... só não se percebeu qual, e assim tudo o que ficou foi uma notícia ridícula de telejornal de fim-de-semana.
Quão baixo desceram as nossas televisões, se agora até idas dos autarcas a locais religiosos são notícia?... É preocupante.

World Press Photo

Porque o jornalismo e o mundo também são feito de imagens...
Fica aqui o link para os vencedores do World Press Photo deste ano.
Fotografias que vale a pena ver.

10 fevereiro 2006

Os "Mupis"

Na edição de ontem do Público, no caderno Local, da zona de Lisboa, vem logo na primeira página em grande destaque uma notícia sobre uns cartazes do tipo mupi, que teriam sido colocados na rua Garrett, e que teriam gerado polémica.
Pode ser ignorância minha, mas não sei o que são esses tais de mupi. Nem tenho obrigação de saber. E atrevo-me a dizer que muita gente não saberá. E não tem obrigação de saber. Quem tem obrigação de se fazer entender aos seus leitores é o jornalista. E este foi mais um caso em que tal não foi feito.
Ao longo de toda a notícia (que tinha uma dimensão considerável), o jornalista não se deu ao trabalho de explicar o que eram afinal os mupis, termo que é repetido exaustivamente.
Ora, como pode o leitor perceber claramente o que está em causa, se não sabe do que o jornalista está a falar? Acho que há aqui uma falha de comunicação bastante grave!
Mesmo que fosse difícil explicar literalmente, a foto que acompanha a notícia podia representar um dos ditos mupis. Mas não.
Tive de recorrer à Internet para ficar a saber afinal que tipo de cartazes estavam em causa, e aí então, ficar esclarecida.
Por este andar, qualquer dia para se entender os media, vamos ter que começar a andar com um dicionário atrás... E de preferência um que inclua também expressões estrangeiras, jargões, e outras coisas que os jornalistas tanto adoram utilizar.
Já agora, para quem for ignorante como eu, parece que isto é que é um mupi:

07 fevereiro 2006

"Agitação na Lusa" (Actualização)

O Público noticia hoje que o Conselho de Redacção da Lusa confirmou que houve interferência do governo no caso das notícias sobre a instalação de Banda Larga em todas as escolas do país.
A história continua confusa, com versões contraditórias, e a bancada parlamentar do PSD já requereu à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias uma audição urgente da directora de informação da Lusa, Deolinda Almeida.
Vamos ver no que isto vai dar... Mas a conclusão a que chegou o Conselho de Redacção da Lusa é, sem dúvida, preocupante.

06 fevereiro 2006

Manuela e os "Atrasados Mentais"

A revista Correio Domingo, do Correio da Manhã, trazia este domingo uma grande entrevista com Manuela Moura Guedes.
Entre outras afirmações interessantes, Manuela Moura Guedes diz que a maioria dos seus críticos "são uns atrasados mentais e não sabem sobre o que estão a escrever". Manuela acha portanto que quem se atreve a criticá-la só pode ser "atrasado mental". Junto-me então também eu a esse grupo: nunca gostei do estilo de Manuela Moura Guedes, acho que o que ela fazia não só não era jornalismo como era uma ofensa ao jornalismo, e que a decisão do espanhóis de a tirarem da frente do ecrã só pecou por tardar tanto.
Moura Guedes diz na entrevista que nunca deu a sua opinião durante os noticiários, "simplesmente reagia aos acontecimentos, e qualquer comentário servia apenas para chamar a atenção de que aquela notícia podia ter outra leitura ou interpretação". Pergunto: e essa não era a função da notícia? Mostrar os vários ângulos da questão? Não é ao pivot que compete estar a fazer comentários! Se queria comentar, muito bem, mas deveria escolher outra profissão, na qual fosse paga realmente para isso.
Quando questionada sobre o caso da abertura do telejornal com o célebre caso do pontapé do Marco do Big Brother, Manuela responde da seguinte forma: "Quando há histórias que mexem com o país como o pontapé do Marco do Big Brother, isso é ou não é notícia? Talvez não tivesse direito a honras de abertura...". Histórias que mexem com o país?! Qual crise económica, quais notícias sobre o governo? O que o povo quer é o pontapé do Marco! E o mais triste é que isto é verdade para grande parte das pessoas... e em muito graças à "qualidade" dos programas que a TVI oferece...
Manuela Moura Guedes diz ainda que não consegue ver o telejornal da RTP, porque "não tem alma". Já a SIC, considera "menos cinzenta".
Quando lhe perguntam com quem embirra mais a apresentar as notícias, não hesita: O "Zé Beto (José Alberto Carvalho). Porque "ele toma-se de inteligente, finge-se de inteligente e não é nada. É apenas uma voz". Ao que acrescenta: "Não sei sequer se ele tem ideias. E depois aquele ar sério e o vozeirão...". Pois é, Manuela não sabe se José Alberto Carvalho tem ideias. Talvez porque este, ao contrário dela, não faz questão de as exprimir quando está a apresentar o telejornal. Mas o que se há-de fazer? A televisão está cheia destes "atrasados mentais" sem ideias...
Fica aqui o link para a entrevista, para quem estiver interessado em ler mais.

05 fevereiro 2006

A Relatividade dos Valores-Notícia

Alguns correspondentes estrangeiros em Portugal consideraram que a cobertura da visita de Bill Gates ao nosso país foi exagerada.
Penso que há aqui duas componentes a considerar: em primeiro lugar, o que é que essa visita implicava, isto é, o senhor Bill Gates não veio apenas de férias, a sua vinda cá relacionou-se com a assinatura de um conjunto de protocolos de importância(pelo menos assim o esperamos) para o futuro do país. Nesse sentido, acho que os media tinham mesmo de dar cobertura ao assunto, não podiam fingir que nada se passava. Agora, outra coisa é a forma como se dão as notícias... com um tom de "Vem aí o salvador ao nosso país de pobrezinhos!". Acho que em alguns casos se apostou neste tom, mas noutros a cobertura até me pareceu bem feita.
Mas também acho que é preciso relativizar as coisas, isto é: para já, os correspondentes não estão a trabalhar no seu país, e portanto a importância desta visita obviamente não era igual para eles. E, por outro lado, parece-me que não é a mesma coisa o Bil Gates ir a um país como França, ou vir a Portugal... Não se compara a importância que pode ter para um e para outro país, por razões económicas que são conhecidas.
Concluindo: trata-se de "dor de cotovelo" de alguns correspondentes estrangeiros, como o sugere Francisco Rui Cádima? Não sei, mas o que me parece é que não se pode analisar uma cobertura jornalística sem ter em conta a importância do próprio acontecimento, e também outros factores. E se calhar é fácil olharmos para o trabalho que é feito num país que não é o nosso... Mas é preciso também compreender as características específicas desse país (economicamente, socialmente, etc.)...

04 fevereiro 2006

"Agitação na Lusa"

Ao que parece, as notícias relativas à instalação de Banda Larga em todas as escolas do país, terão causado grande agitação na Lusa.
Uma história confusa, que devia ser devidamente esclarecida...

As Televisões do País do Euromilhões

Em semana de grande Jackpot do "Euromilhões", multiplicaram-se nos telejornais as tradicionais reportagens e directos dos locais de apostas, com as repetidas perguntas: "Então, quanto vai apostar?", "O que faria se ganhasse?", com as quais que se obtêm, geralmente, as mesmas respostas.
Mas, como se ainda não bastasse esta adesão em massa das televisões à "febre do Euromilhões", hoje, que já se sabe que houve um totalista português do primeiro prémio, assiste-se a algo ainda mais inacreditável: directos do local onde o vencedor registou a aposta!
Ficamos então a saber que se trata de uma papelaria num centro comercial de Odivelas. No meio de um magote, o jornalista cumpre ali um serviço de utilidade pública fundamental, e faz as perguntas da praxe à dona da loja; se já "deu" outros prémios (como se fosse ela que dá os prémios!), se sabia em que dia tinha sido registada a aposta (como poderia saber?!), e como ia garantir o anonimato do apostador, o que, acrescentou a jornalista, ia ser quase impossível com a quantidade de gente que ali estava.
Serei eu a única a achar estes directos completamente idiotas e vazios?... É que não acrescentam nada a não ser mostrar um conjunto de pessoas que não têm nada mais interessante para fazer do que concentrar-se na dita papelaria à espera que o totalista apareça. Mas que essas pessoas façam isso, é lá com elas, agora transformar isso em notícia, em tema de directo, em verdadeiro caso do dia?!
Será que um jornalista não se sente ridículo a desempenhar um papel tão triste?... Pelo menos parece...

03 fevereiro 2006

Jornalistas Com Alguma Experiência (Mas Bem Parecidos) Procuram-se

Mais uma curiosidade dos anúncios na área da comunicação social.
Achei especial piada ao facto de pedirem para enviar "curriculum com fotografia".
Afinal é um anúncio para funções de jornalista ou de modelo?...
Enfim, só me pergunto qual a importância da fotografia para a admissão de um jornalista... Será novo critério de selecção?... Fica a dúvida.

Milagre! O Milagre Apareceu!

E eis que na edição de hoje do Correio da Manhã, surge precisamente o que faltava ontem: o dito milagre!
Será que o jornal está a aderir ao sistema de publicar as notícias em folhetins, do estilo: "não percam o próximo episódio, porque nós também não"? É o que parece...
Já agora, de notar também o tom parcial em que é escrita a notícia, dando o facto como adquirido, usando expressões como "Irmã Lúcia curou menina de 4 anos". Não se devia em vez disso escrever "(...)terá curado uma menina de 4 anos"?... Mas no último parágrafo fala-se de uma "eventual graça divina". Ah, afinal é eventual! É que lendo o título quase que não restariam dúvidas...


02 fevereiro 2006

O Milagre das Notícias Ocas

O Correio da Manhã publica hoje, sob o título "Cura sensacional", uma notícia sobre um milagre que poderá garantir a beatificação da irmã Lúcia. Falta apenas um pormenor... qual é o milagre??
O jornal não se coíbe de colocar a notícia num lugar de destaque (nas primeiras páginas), mas o leitor fica sem saber qual é o referido milagre. Então onde está a notícia? Seria notícia se já se soubesse qual o milagre, ou se as respectivas autoridades o tivessem considerado verídico... Mas não, o que se refere é apenas uma suposta "documentação com o relato da cura milagrosa".
Ainda se a notícia consistisse apenas numa breve referência, ocupando um espaço reduzido no jornal, podia entender-se... Mas ocupar duas páginas no início do jornal??
É defraudar o leitor sem qualquer peso na consciência, e acho que é jornalismo sem qualidade.

31 janeiro 2006

Revisor Procura-se

A título de curiosidade, deixo aqui um link para um anúncio em que se pede um revisor para jornal. Entre outras coisas, pede-se que o candidato tenha "domínio da língua portuguesa". Chamem-me exigente, mas não se devia sublinhar especialmente este requisito pedindo um "bom domínio da língua portuguesa"? É que exigir de um revisor que tenha domínio da língua portuguesa, acho que é o mínimo dos mínimos!
Pede-se também ao candidato que tenha, no mínimo, 10 anos de experiência no jornalismo, e valorizam-se os factores experiência e idade. Mas será que experiência (mesmo que 10 anos) no jornalismo, equivalem a ter um bom domínio da língua portuguesa?...
Enfim, deixo aqui as dúvidas, ainda como "achega" ao último post.

29 janeiro 2006

Leitores "cançados" de erros

Na página 59 da revista Domingo do Correio da Manhã, num artigo sobre o fotógrafo Eduardo Gageiro, lê-se a dado momento: "Cançado, a arfar, mas cheio de adrenalina (...)".
Sinceramente, custa-me a entender como é que erros destes passam...

28 janeiro 2006

O Jornal dos Pobres

Não resisto a colocar aqui este artigo, que vem na última edição do Courrier Internacional:

"O quadro preto é o jornal dos pobres
À priori, o giz é uma substância inofensiva. Porém, nas mãos de Alfred Sirleaf, as autoridades liberianas viram nele uma arma mortal. O suficiente para o espancar, exibir nu pelas ruas e finalmente obrigá-lo ao exílio durante a guerra civil da Libéria.
Num país onde os jornais são um luxo para a minoria dos que sabem ler e onde os outros não têm evidentemente acesso a eles Sirleaf tentava colocar a informação ao alcance do maior número de pessoas com desenhos humorísticos e parangonas. Foi esse o seu crime. Todas as manhãs, abria a porta da casa de madeira a que chamava redacção e começava a escrever as notícias do dia num quadro preto giratório. Verificando a ortografia das palavras num dicionário dos anos 70, que um diplomata lhe oferecera, compunha cuidadosamente a primeira página do «Daily Talk», e rodava o quadro negro na direcção dos peões e dos condutores, nesta rua intrasitável de Monróvia.
O poder instituído não apreciou o seu sucesso popular e obrigou-o a fechar as portas. Mas, após dois anos de paz, Sirleaf decidiu que podia regressar ao seu país e assistir às primeiras eleições do pós-guerra na Libéria.
Assim, no momento em que uma antiga estrela de futebol e uma economista disputavam a presidência, Sirleaf encadeava as edições para informar os habitantes do seu bairro, demasiado pobres para comprarem um diário, ou mesmo para possuir um rádio. «A pobreza é um flagelo neste país, mas mesmo assim as pessoas têm o direito de saber o que se passa», explica este homem de trinta anos que não frequentou nenhuma escola de jornalismo e conta com a boa vontade dos vizinhos para dar vida à sua «redacção».
«Quero educar os liberianos», explica. «O mais importante é mantermo-nos neutros, embora haja sempre pessoas que nos acusam de sermos parciais. Assim, durante estas eleições, o facto de ter o mesmo nome qie uma das candidatas, prejudicou-me». A sua homónima, Ellen Johnson-Sirleaf, estudou em Harvard. Foi ela que ganhou as presidenciais, tornando-se a primeira mulher Chefe de Estado em África.
Num país ainda marcado pela guerra - as paredes de Monróvia estão crivadas de balas- sem água canalizada nem electricidade, mesmo na capital, onde a taxa de desemprego atinge os 80 por cento, a Presidente não tem tarefa fácil. Para Sirleaf, a corrupção está no centro do problema: vai manter debaixo de olho a nova equipa governamental para se assegurar de que esta não deita mãos aos recursos da Libéria (borracha ou diamantes), como fizeram as anteriores.
Sirleaf teve aborrecimentos no passado, quando criticou as despesas exorbitantes do Governo. Em 2000, fez um desenho de Charles Taylor, o senhor da guerra que nessa altura era Presidente, onde este era visto a distribuir dinheiro a torto e a direito numa discoteca nocturna, enquanto lá fora as pessoas morriam. Pouco depois, viu chegarem a sua casa, de jipe, alguns soldados que lhe rasgaram as roupas e o obrigaram a caminhar até ao palácio presidencial cobreto com uma simples ardósia. Os esbirros de Taylor destruíram-lhe a casa e ele teve de fugir para o Gana. Agora, está de novo em casa, cheio de esperança no futuro. «Há mais pessoas honestas do que canalhas na Libéria», assegura. «Chegou o momento de os honestos levarem a melhor».
Claire Soares, The Guardian, Londres"

26 janeiro 2006

O Poder da Escolha

Um dos casos polémicos da noite eleitoral foi o "corte" da palavra ao candidato Manuel Alegre.
Esse caso foi também alvo de discussão no programa de ontem do Clube de Jornalistas. Penso que é de salientar a posição do jornalista João Adelino Faria, que, quando questionado sobre a decisão tomada (neste caso pela SIC), admitiu que foi um erro. Um erro de que só se deram conta depois de já o terem cometido, pois, como explicou, a decisão teve que ser tomada em escassos segundos, e como tal não houve tempo para pensar.
Esse erro foi cometido por todos os canais, mas foi positivo ver um jornalista de um deles a admitir o erro. Sim, porque os jornalistas também têm direito de errar. Mas quando o fazem raramente o admitem...
Independentemente de outras possíveis culpas de responsáveis políticos, penso que as televisões não se podem demitir de uma parte de responsabilidade no que se passou. Era uma decisão difícil, que tinha de ser tomada em muito pouco tempo, compreende-se, mas é discutível se terá sido a mais correcta. Era, no fundo, uma questão de decidir o que tinha mais importância como notícia naquele momento: o discurso do candidato que tinha ficado colocado em segundo lugar, e como uma votação considerável, ou o do primeiro-ministro? As televisões escolheram o primeiro-ministro...
João Adelino Faria referiu ainda que a SIC teve o cuidado de corrigir imediatamente o erro, pondo de seguida no ar a gravação do discurso completo de Manuel Alegre. Não sei se as outras televisões fizeram o mesmo. Se não o fizeram, penso que seria bom que o tivessem feito. Sempre seria um mal menor...

"Entre a Espada e a Parede"

No programa de ontem do Clube de Jornalistas, cujo tema era "A cobertura das Presidenciais nos media portugueses", a jornalista Maria Flor Pedroso referiu uma questão que penso que talvez seja interessante para reflectir.
Maria Flor Pedroso falou de uma "limitação editorial" por parte dos políticos, que prejudica o trabalho dos jornalistas. Isto a propósito do modo como foram organizados os debates para as eleições presidenciais, e nomeadamente o modelo escolhido, e a recusa por parte dos candidatos de realizarem um debate com todas as candidaturas.
O que se verificou foi que as candidaturas fizeram exigências em relação aos debates, e os jornalistas aceitaram fazê-los nas condições exigidas. E perguntava Ribeiro Cardoso, moderador do programa de ontem, porque é que os jornalistas se sujeitaram a essas limitações. A questão é: teriam alternativa? Isto é, penso que os jornalistas foram postos "entre a espada e a parede", não tinham ali grande poder de decisão.
E é este um dos casos em que podemos ver o problema de que falava Maria Flor Pedroso, de uma limitação editorial por parte do poder político.
Uma limitação que muitas vezes deixa os jornalistas sem poder de manobra. E, como também foi referido no programa, quem mais fica a perder é o público.

24 janeiro 2006

Alguém Se "Enganou"...

O Correio da Manhã noticia hoje que a TVI foi a estação mais vista na noite eleitoral.
Ora o que é curioso é que ontem ouvi a RTP dizer que tinha sido o seu o canal com maior audiência! Então em que ficamos? Há aqui alguém enganado... ou a querer enganar os telespectadores, o que é muito pior.

21 janeiro 2006

Onde Será Que Eu Já Vi Isto?...

Último número da Focus


Nº620 de 20 de Janeiro de 2005 da Visão


19 janeiro 2006

Boas Ideias Vindas do Brasil

"Crianças em risco" foi o tema do programa Clube de Jornalistas de ontem.
Numa altura em que as notícias sobre crianças (e nomeadamente os maus tratos a que são sujeitas) são mais frequentes que nunca nos nossos meios de comunicação social, o Clube procurou analisar como é feita essa cobertura, o que está mal no modo como é feita, o que se pode fazer para melhorar o trabalho dos jornalistas quando abordam estes temas, entre outras questões discutidas.
Falando-se de uma necessidade de maior preparação dos jornalistas para abordar estes temas, o programa deu a conhecer um projecto existente no Brasil desde 2000, que se destina precisamente a fazer essa ponte entre os media e as questões que afectam as crianças. Trata-se da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), que entre muitas iniciativas, atribui o título de "Jornalista Amigo da Criança" a jornalistas que, pelo trabalho desenvolvido, tenham contribuido no sentido de um respeito pelos direitos das crianças e da construção de novos valores na sociedade em relação aos menores.
Junto-me aos intervenientes do Clube de Jornalistas de ontem quando manifestavam o desejo de ter um projecto semelhante cá em Portugal. Os bons exemplos são para se seguir. E a meu ver, este é mesmo um excelente exemplo...

18 janeiro 2006

(Vamos lá ver se os)Jornalistas Defendem a Língua Portuguesa...

Ora aqui está uma boa ideia. Se bem que acho que o título da notícia Jornalistas defendem a língua portuguesa, é questionável... deveriam defender, mas infelizmente sabemos que nem sempre isso acontece. Por isso mesmo, acho que são de louvar iniciativas como esta.
Não posso, no entanto, deixar de registar os "entraves" que desde logo Luís Marques põe a isto, dizendo que "o problema não é fácil de resolver, tendo em conta a pressão sobre os jornalistas na produção da informação", e que além disso é "um serviço pago". Não é fácil de resolver? De acordo, mas iniciativas como esta podem dar uma ajudinha, não? E parece-me que a pressão a que os jornalistas estão sujeitos também não pode servir de desculpa para tudo, porque há erros que se devem não a falta de tempo, mas a simples ignorância, e pior que a ignorância é a falta de cuidado em verificar se aquilo que se diz/escreve está correcto, o que não acredito que demore assim tanto tempo... Quanto ao preço a pagar pelo serviço... pois não sei quanto custará, mas será assim uma fortuna tão grande?...

15 janeiro 2006

A Primeira Jornalista Portuguesa

"Numa época em que as mulheres estavam confinadas à família, à música e aos bordados, Antónia Pusich defendeu que deveriam também aprender a ler e a escrever para poderem participar na vida social e política do país. Através dos jornais que fundou despertou nas mulheres o sentido cívico que viria a ser uma realidade nos séculos que se lhe seguiram."
Antónia Gertrudes Pusich foi a primeira jornalista portuguesa.

O Melhor e o Pior das Campanhas

Alguns jornais têm publicado junto às reportagens de cada dia da campanha eleitoral dos vários candidatos, pequenas notas que correspondem ao mais positivo e ao mais negativo desse dia de campanha.
Confesso que não vejo grande utilidade nesses apontamentos... Para além de serem questionáveis, porque implicam um juízo de valor por parte do jornalista, muitas vezes não dizem nada, isto é, a meu ver não acrescentam nada de realmente interessante, de informativo para o leitor. E, pior, às vezes nem se percebem bem, como este caso que vem hoje no Público, a propósito do dia de ontem da campanha de Cavaco Silva. Na parte do mais positivo, pode ler-se: "A capacidade de resistência dos apoiantes que pagam para ouvir Cavaco Silva discursar e o vêem ir embora, almoçado ou jantado, quando eles não sabem sequer «o que é o tacho»". Li várias vezes mas continuo sem perceber o que o jornalista quis dizer, e se afinal estava a elogiar ou a criticar.
Muitas das vezes, estes pequenos apontamentos resumem-se a comentários fúteis, e desprovidos de sentido, como se o jornalista não tivesse encontrado nada melhor para dizer. Encontro um exemplo (de entre muitos outros que poderia referir) na edição de hoje do Correio da Manhã, na reportagem relativa à campanha de Garcia Pereira. Naquilo que o jornalista elegeu como "o pior" pode ler-se: "Os pescadores, tímidos, fugiram das câmaras". Pergunto: em que é que este comentário é essencial, para mim, enquanto eleitora, para conhecer o candidato, neste caso Garcia Pereira? Pobres pescadores, nem eles escaparam aos imaginativos apontamentos dos jornalistas...

Dislates Maciços

O jornalista Ricardo Dias Felner, autor de uma reportagem sobre as campanhas para as eleições presidenciais, hoje publicada no jornal Público, parece ter tido dificuldades em acertar com o adjectivo "maciça". Pode ler-se no terceiro parágrafo: "Quando o PÚBLICO bateu na porta massiça (...)". Mas o vocabulário não lhe faltou para escrever que "Cavaco teve o primeiro dislate caricatural (...).
É a prova de como às vezes se descuram as coisas mais simples... Que, no caso de dúvida, se poderia ter evitado ao consultar um dicionário. O mesmo que contém a palavra dislate, equivalente a disparate, despautério.

12 janeiro 2006

O "Acordo Discriminador"

Para quem tiver curiosidade, aqui fica o link para o acordo que foi feito entre RTP, SIC e TVI para os debates televisivos da pré-campanha das eleições presidenciais.
Aquilo a que Francisco Rui Cádima, no seu blog Irreal TV, chamou "acordo discriminador".

Uns São Mais Candidatos Que Outros...

Penso que é inegável que o candidato à Presidência da República Garcia Pereira tem sido alvo de discriminação por parte da cobertura televisiva. Esse facto aliás já foi alvo de reparo por parte da AACS.
Entretanto, as televisões lá vão tentando "emendar a mão" como se viu hoje com a entrevista de Judite de Sousa a Garcia Pereira.

"Acarrétar"?!

Quando numa reportagem da SIC Notícias, um jornalista pronuncia "acarrétar" em vez de "acarretar", pergunto-me se será ignorância ou vontade de renovar a língua portuguesa... Não sei qual das hipóteses será mais preocupante... Mas dá-me vontade de mudar de canal.

10 janeiro 2006

Jornalistas na Corda Bamba

"Desemprego: Jornalistas na corda bamba" , um artigo de Vanda Ferreira na edição nº 24 na revista Jornalismo e Jornalistas.
Uma visão geral, e quanto a mim muito útil, da actual situação do (des)emprego na área do jornalismo, e das expectativas daqueles que estão agora a estudar para ser jornalistas.
Como é sabido, o cenário não é nada cor-de-rosa...

07 janeiro 2006

"A Internet assassinou os correspondentes"

A opinião é de Ramon Font, presidente da Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal.
Fica aqui o link para quem quiser ler a entrevista, e ficar a saber um pouco mais sobre a situação actual dos correspondentes estrangeiros.

O Esperado Regresso do Provedor do Público

Uma boa notícia no início de 2006: o Púbico voltou a ter Provedor. O jornalista Rui Araújo, novo ocupante do cargo, publica amanhã o seu primeiro texto.

05 janeiro 2006

Notícias tristes...

63. É o número de jornalistas mortos este ano... As notícias tristes de quem luta para levar as notícias aos outros...

04 janeiro 2006

Soares e a SIC

Acusações destas devem ser devidamente fundamentadas. Em que se baseia Mário Soares para dizer o que disse? Que dados concretos tem ele para o sustentar?
Se forem acusações verdadeiras, o público tem o direito de saber em que se fundamentam. Mas se forem falsas, são acusações muito graves, que põem em causa o prestígio de um canal de televisão, e dos profissionais que aí trabalham. E os jornalistas também não podem continuar a servir de "bode expiatório" no meio de querelas eleitorais...

Missão Jornalística ou Obtenção de Substâncias Ilícitas?

Não sou leitora do jornal Tal&Qual, e como tal não sabia deste caso noticiado hoje pelo Correio da Manhã. Mas parece-me curioso, e quem sabe uma boa oportunidade para reflectir sobre os limites da liberdade de imprensa.
O director do Tal&Qual refere a lei de imprensa para se defender, mas onde está o artigo que lhe assegure a impunidade num caso destes? Deve a PJ "ignorar" que o jornal adquiriu substâncias ilícitas, apenas porque o fez no contexto de uma reportagem jornalística? Estão os jornalistas acima da lei?
Na capa dessa edição do Tal&Qual pode ler-se: "Comprar não podia ser mais fácil e está ao alcance de todos", ao que ainda se acrescenta um destaque: "Nós já a recebemos!". Serviço público? Ou a quem quer consumir droga?
Parece-me que as questões a avaliar seriam: esta informação é importante para a sociedade? Se sim, como as vamos transmitir? É que há várias formas de dar a mesma notícia... e aí é que se vê a diferença entre um jornalismo sério e um jornalismo sensacionalista que em nome do "interesse público" acha que pode fazer tudo, e que está acima da lei...

30 dezembro 2005

Bom Ano Novo!

Desejo um bom ano a todos os leitores do blog!
Que 2006 traga mais e melhor jornalismo a este país encantado das notícias.

28 dezembro 2005

Provedores do leitor

De há uns tempos para cá parece estar em "cima da mesa" a hipótese da criação de um provedor dos telespectadores na televisão pública, à semelhança da figura do provedor dos leitores que existe nos jornais.
Mas, se formos ver, mesmo nos jornais ele praticamente não existe. Para ser mais precisa, de entre os três principais jornais diários (Correio da Manhã, Diário de Notícias, e Público), apenas o Diário de Notícias tem a figura do provedor, função desempenhada por José Carlos Abrantes.
No Público, já existiu em tempos um Provedor. Mas neste momento não há.
No Correio da Manhã nunca existiu.
E fará falta um provedor dos leitores? Sou da opinião que sim. Demonstra vontade por parte de um jornal de manter o "diálogo" com os leitores, capacidade de se auto-criticar, desejo de contribuir para fazer melhor jornalismo, e sobretudo desejo de ir adaptando o jornal ao seu público, porque afinal é para ele que este é feito.
Em última análise, parece-me que tudo o que possa contribuir para fazer um melhor jornalismo é positivo. E a figura do provedor pode, a meu ver, contribuir para isso. Só é pena que apenas um dos principais jornais diários mantenha essa iniciativa...

20 dezembro 2005

Doutores e Jornalistas

Não resisto a registar aqui uma tendência que tenho vindo a verificar: a de alguns jornalistas serem tratados por "doutores" pelos seus interlocutores.
Nomeadamente, reparo nisso quase todos os dias, ao ouvir o programa "Antena Aberta" da Antena 1, no qual a moderadora, Eduarda Maio, é abundantemente tratada por "doutora" pelos ouvintes. Outro caso, julgo que mais conhecido, é o de Judite de Sousa, várias vezes referida da mesma forma. Não sei se existirão ainda outros casos...
Não estando aqui em causa a legitimidade de tal título, não deixo de achar curiosa esta espécie de "elevação" de alguns jornalistas em relação a outros. Dá que pensar: porque será? É que jornalistas "doutores" há outros, e a tendência é para haver cada vez mais... No entanto, poucos têm a "honra" de serem tratados dessa forma... Já imaginaram um político ser interpelado na rua por um repórter, e responder-lhe: "ó doutor...". Eu não imagino! E no entanto, esse jornalista repórter pode ser tão doutor como os outros...
E já agora, enquanto espectadora ou ouvinte, confesso que me causa certo incómodo ouvir o jornalista ser tratado desse modo. É como se o pusesse numa posição mais elevada. E o ideal é que o jornalista esteja ao mesmo nível que o seu público...

17 dezembro 2005

A Ténue Fronteira Entre o Jornalismo e a Opinião

Tem sido tema recorrente nos últimos posts, mas não posso deixar de o abordar mais uma vez, porque me deixa muitas dúvidas a forma como às vezes os resumos dos debates são feitos.
Mais uma vez refiro aqui o Correio da Manhã.
Serão títulos como "Soares dá lição a Louçã", aceitáveis do ponto de vista jornalístico? É o jornalista que decide quem deu lição a quem? É que isso implica, para além de fazer um juízo, tomar um partido.
Não se estará aqui a quebrar a ténue fronteira (que não deveria ser assim tão ténue) que separa o jornalismo da opinião?...


16 dezembro 2005

Terá Sido Falta de Imaginação?...

E eis que no fim do debate entre Francisco Louçã e Mário Soares, Ricardo Costa decide aproveitar o pouco tempo que resta para colocar a Louçã uma questão de importância vital para o país:
"Se for eleito Presidente da República vai passar a usar gravata?"
Pergunto: terá sido falta de imaginação do jornalista? Não se terá lembrado de nada melhor com que aproveitar o minuto que restava?...

Sem Comentários (Actualização)

Cerca de 12 horas depois, alguém se apercebeu do erro...
É caso para dizer: mais vale tarde do que nunca.

15 dezembro 2005

Sem Comentários

Notícia SIC: "Paulo Pedroso acusa Souto Moura de imparcialidade".
Acusação estranha... então não é suposto o Procurador geral da República ser imparcial?... Continuo a ler a notícia. Leio que afinal o que Pedroso disse foi que "existiu uma violação do dever de imparcialidade por parte da Procuradoria Geral na República no caso Casa Pia".
Ah, afinal foi isso...
Sem comentários.

10 dezembro 2005

Isto é mesmo o resumo de um debate?...

textos que me questiono se serão jornalísticos...
"Como não tinha nada a perder, Francisco Louçã procurou(...)"
"Estava dado o mote para um confronto político que iria ser marcado, como se esperava, por posições opostas."
"Com esta tirada, Cavaco Silva, que iniciara o debate com sinais de tenção bem expressos no rosto, inverteu o curso do debate"
Dá-me a sensação de estar a ler o relato de um jogo de futebol, ou um resumo de uma telenovela! Acho que é possível fazer um resumo do debate sem utilizar certo tipo de frases, que além do mais, por vezes revelam uma opinião do jornalista que não devia transparecer...

09 dezembro 2005

Debates "à americana" nas televisões portuguesas

Faço minhas as palavras de José António Lima neste texto sobre os debates televisivos para as eleições presidenciais.
E tenho de confessar que gostei mais do debate de ontem. Independentemente dos candidatos, a nível de organização televisiva, acho que correu melhor do que o primeiro. Foi menos rígido, não se sentia tanto a ditadura do tempo, e penso que José Alberto Carvalho e Judite de Sousa conseguiram criar um bom equilíbrio.
Depois há também pequenos pormenores que contam, como o cenário, que me pareceu mais agradável do que o escolhido pela SIC, e o posicionamento dos candidatos (continuavam a não estar frente a frente, mas mesmo assim estavam mais em contacto do que no debate da SIC, não dava tanto a sensação de estar cada um para seu lado). Além disso, o próprio posicionamento dos entrevistadores é importante, e também nesse sentido me pareceu que a escolha feita pela RTP foi melhor.
Mas, independentemente das escolhas feitas por cada estação televisiva, há questões que permanecem: será que este é o modelo certo a adoptar? Será que achamos que ele não resulta apenas porque não estamos habituados, é uma questão de tempo? Ou não resulta mesmo?
Parece-me que a questão essencial é: será que o que se ganha em informação compensa a falta de interesse televisivo? O público fica mais e melhor informado desta forma?

03 dezembro 2005

Jornais do Futuro

O site do Clube de Jornalistas chama hoje a atenção para um exemplo daquilo que poderá ser o jornalismo do futuro. E coloca a questão que se impõe com o avanço das tecnologias: será que no futuro os jornais (nas suas edições em papel) irão desaparecer? Será que vamos chegar ao ponto de deixar de haver jornais no seu suporte tradicional?
Confesso que tenho dificuldade em imaginar isso a acontecer, mas o futuro o dirá.
Até lá, acho que vale a pena apreciar exemplos como este do The Sacramento Bee, que nos apresenta uma forma inovadora de fazer jornalismo, e uma proposta de adaptação da actividade jornalística às novas tecnologias, aproveitando o que de melhor elas têm para oferecer.

Propaganda não é Jornalismo

Que a propaganda é uma parte interveniente nas guerras, já se sabia. E os EUA não fizeram por menos: aprovaram um programa multimilionário que se destina a pagar a jornais e jornalistas iraquianos para publicarem histórias favoráveis à ocupação americana. Nem mais nem menos. Na perspectiva destes senhores, só assim se pode apurar a verdade. A verdade deles, é claro.
Mas, como sempre, a Casa Branca nega desconhecer a situação (mesmo perante o orçamento de milhões de dólares destinados a esse fim), e diz que vai abrir uma investigação.
Porque será que tenho o pressentimento de que essa investigação nunca irá chegar a nenhuma conclusão?...

01 dezembro 2005

Os Petiscos de 'Bibi'

São pormenores destes que enriquecem o jornalismo...
"OS PETISCOS DE BIBI

Desde que foi solto na passada sexta-feira dia 25 de Novembro, Carlos Silvino tem uma nova preocupação: cozinhar as suas refeições. Depois de um primeiro dia no Tribunal de Monsanto a comer sandes, para a 115ª sessão 'Bibi' levou uma salada de atum para o almoço, confeccionada na terça-feira à noite na casa onde vive, no Bairro de Santos, em Lisboa.
Segundo apurou o CM, apesar de estar em liberdade, o ex-motorista da Casa Pia, ao contrário dos restantes arguidos, não vai almoçar fora por questões económicas e de segurança." (edição de hoje do Correio da Manhã).
Pergunto: a QUEM é que interessam estes pormenores? Pelos vistos aos jornalistas do Correio da Manhã... Não só se deram ao trabalho de ver o que é que 'Bibi' levava para o almoço, como sabem que o mesmo almoço tinha sido confeccionado em sua casa na terça-feira à noite, como, e isto é o mais genial: ainda apuraram que 'Bibi' não vai almoçar fora por razões económicas e de segurança. Chama-se a isto um trabalho de grande investigação jornalística!



30 novembro 2005

A Ideia Fixa de Judite de Sousa

Não resisto a pôr aqui um link para o site do Clube de Jornalistas, onde hoje se pode ler um texto de Ribeiro Cardoso sobre a entrevista de Judite de Sousa a Manuel Alegre, com o título "Tricas em horário nobre".
É que reparei exactamente no mesmo... mas pensei que fosse impressão minha.
Fica então aqui o link para quem estiver interessado, e quem sabe, tenha visto a entrevista, e se tenha também apercebido disto.

27 novembro 2005

Pacto com os Jornalistas

Mário Soares propôs aos jornalistas um pacto, para que não o fizessem pronunciar-se sobre determinadas questões, enquanto candidato às Presidenciais. Segundo Soares, os jornalistas podem colocar-lhe as questões que quiserem, que ele não se pronunciará.
Não deixa de ser engraçado este "pacto" de Soares... parece pôr do lado dos jornalistas a responsabilidade de determinadas afirmações que possa ter proferido. Mas é que o trabalho dos jornalistas é, precisamente, fazer perguntas. Cabe depois ao visado responder ou não.
É curiosa a utilização dos jornalistas por parte dos políticos... Quando, num determinado combate político, acham que é altura de parar de "deitar achas para a fogueira", a culpa foi dos jornalistas, porque os "obrigaram" a proferir aquelas declarações, quando eles, coitados, até não queriam...
Pois é, os "malandros" dos jornalistas!...

26 novembro 2005

A (Ir)Responsabilidade dos Media

O jornal Público dá hoje conta da deliberação da Alta Autoridade Para a Comunicação Social relativamente ao trabalho dos media no tratamento do famoso "arrastão" de Carcavelos.
Muito já foi dito e escrito sobre esse assunto, por isso não vou aqui mais "bater nessa tecla".
O que me parece ser preocupante é que o comportamento dos media nesta situação foi apenas um dos muitos sintomas da falta de sentido de responsabilidade que estes parecem ter enquanto formadores da opinião pública.
Informar é, cada vez mais, um acto de grande responsabilidade. E o que se passa hoje é que os media já não têm responsabilidade apenas na transmissão dos acontecimentos, podem agir também enquanto causadores desses mesmos acontecimentos. Podemos pensar por exemplo no papel que os media tiveram enquanto estimuladores dos distúrbios em França. Podemos questionar-nos se o facto de esses acontecimentos terem sido tão abundantemente noticiados não poderá ter tido influência nos próprios acontecimentos...
Não estou aqui a defender uma tese apocalíptica dos media (até porque espero fazer parte deles), o que defendo é mais cuidado na forma como a informação é dada, um pouco mais de consciência do importantíssimo papel dos meios de Comunicação Social.
E talvez essa formação para a responsabilidade dos jornalistas devesse começar nas próprias universidades, nos próprios cursos. Alertando para a necessidade de rigor, para a responsabilidade da profissão, para o poder que uma simples notícia pode ter... Porque ser jornalista não é só saber escrever notícias. E o que mais me preocupa é a formação de jornalistas autómatos, sem sentido crítico, e por isso incapazes de, por exemplo num acontecimento como o "arrastão", avaliarem aquilo que realmente se passou. E incapazes de pedirem desculpa quando manifestamente erraram.

19 novembro 2005

O Público Errou... Em Letras Bem Grandes

Na edição de hoje do jornal Público, na secção "Cultura", pode ler-se uma notícia com o seguinte título, em letras bem grandes: "Finlandeses Sigur Rós regressam à luz nos coliseus".
O lead dessa mesma notícia começa da seguinte forma: "Banda islandesa regressa a Portugal com Takk... (...)".
Ah, então afinal ainda são islandeses! É que por momentos pensei que tivessem mudado de nacionalidade...
Chama-se a isto um erro em letras bem grandes!
Pergunto: não houve ninguém que o detectasse? Já não digo o autor da notícia, que esse estava visivelmente confuso...
Enfim, mais uma para a secção "O Público errou"...

18 novembro 2005

Está Explicado...

Ainda a propósito dos jornais gratuitos, acabo de ler uma notícia na edição de hoje do Diário de Notícias, que de alguma forma pode ser esclarecedora em relação ao post anterior.
A notícia dá conta da realização do II Congresso Jornalístico de Portugal e Espanha, em que participaram João Marcelino, director do Correio da Manhã, José António Saraiva, director do Expresso e Francisco Pinto Barbosa, director do Destak, entre outros.
Mas foi no debate sobre "Qual a veracidade dos jornais gratuitos" que as coisas terão ficado mais animadas. Após a acusação de João Marcelino, de que os gratuitos "são suportes impressos destinados a veicular publicidade", e que apostam pouco na informação, Francisco Barbosa respondeu que "é preciso compreender que são produtos diferentes. O Destak destina-se aos não leitores e quando se fala de qualidade, isso deve ser tido em conta" (sublinhado meu).
Então quer dizer que, sendo um jornal destinado aos não leitores, como o classifica Pinto Barbosa, as exigências de qualidade são menores? Pronto, está explicado porque depois se encontram notícias como aquela de ontem, e como repetidamente o Destak mostra uma enorme falta de cuidado na verificação da informação.
O problema é que não são só os não leitores que lêem o Destak... Aliás, nem sei o que seja isso de não leitores, se uma pessoa lê um jornal que seja, já é leitora... De qualquer forma, é um leitor, e merece ser respeitado como tal. E o mínimo que o jornal pode fazer é fornecer informação exacta aos seus leitores. Agora se depois a organiza de forma mais "light", isso já é outra história... mas não tem necessariamente a ver com qualidade.
Portanto, Pinto Barbosa ao dizer isto, veio dar razão a João Marcelino. O Destak parece estar mais interessado em veicular publicidade, do que propriamente em informar. E isso é mau... mau para o jornalismo, mau para o público em geral, se tivermos em consideração que há pessoas para quem os gratuitos são a única fonte de informação.
O Destak tem vindo a promover-se com o slogan: "Para quem não gosta de ler palha". O pior é com juntamente com a "palha", deita também fora a qualidade...
Fica aqui o link para quem quiser ver a notícia completa.

17 novembro 2005

Grandes Equívocos...

Nos dois jornais gratuitos diários vinha hoje uma notícia sobre um estudo realizado por uma socióloga,sob o tema "Trajectórias Académicas e de Inserção Profissional da Universidade de Lisboa". Como o próprio nome indica, esse estudo foi apresentado na Universidade de Lisboa.
Mas ao ler a notícia, primeiro no Destak e depois no Metro, fiquei confusa... O Destak começa por dizer que "Sete em cada dez diplomados pela Universidade Nova de Lisboa entre 1999 e 2003 são mulheres e perto de metade provém de famílias com pouca escolaridade, revela um estudo daquela instituição apresentado ontem, em Lisboa." Mas a seguir a Universidade já é outra. O Destak continua: "Segundo o trabalho «Trajectórias Académicas e de Inserção Profissional da Universidade de Lisboa (...)". Então em que ficamos? Afinal é a Universidade Nova de Lisboa ou a Universidade de Lisboa? É que são universidades diferentes...
Decidi investigar o caso. Abri então outro jornal gratuito, o Metro. E lá vinha a mesma notícia, e, maravilha das maravilhas, a mesma contradição! Coincidência? Não, tinha de haver outra explicação. E a explicação devia estar na fonte. No caso da notícia do Metro, a fonte vem identificada como sendo a Lusa, o Destak nem sequer identifica, mas é óbvio que foi a mesma.
O que se passou então aqui? A Lusa fez uma confusão entre universidades, e fala de duas universidades diferentes como se fossem a mesma. E os jornais publicaram a notícia sem se aperceberem do erro, o que é duplamente (triplamente) grave...

04 novembro 2005

Traduções Simultâneas

Confesso que não percebo isto: o hábito que os jornalistas de televisão têm de, quando está a ser transmitido um discurso em directo de uma qualquer personalidade, aproveitarem as pausas para introduzir comentários, parafraseando o que a pessoa acabou de dizer, como se estivessem a fazer uma tradução.
Tenho visto isto ser feito repetidas vezes e pergunto-me qual é a utilidade... O espectador ouve aquilo que acabou de ouvir da boca da própria pessoa repetido pelo jornalista, e pensa: "Então mas julgam que eu sou parvo? Isto acabei eu de ouvir!". Torna-se profundamente irritante.
Exemplo: Manuel Alegre diz: "O Presidente da República não pode assistir passivamente à ocupação partidária dos lugares de nomeação pública". E logo a seguir o bom do jornalista faz a "tradução" dizendo algo como: Manuel Alegre a defender aqui que o Presidente da República não pode assistir passivamente à ocupação partidária dos lugares de nomeação pública.
E pior que isto é quando o jornalista parafraseia erradamente, acrescentando coisas que a pessoa não disse, e fazendo a sua própria interpretação. É que se as falsas citações já são graves, ainda mais grave é quando são feitas em directo!
Parece que os jornalistas de televisão têm pânico de estar em silêncio, sentem-se na obrigação de dizer alguma coisa. A questão é que às vezes não há mesmo nada a dizer, ou melhor, aquilo que interessa ser dito está a ser dito por outra pessoa. O discurso fala por si, não são precisas traduções. E os comentários podem ser úteis se realmente acrescentarem algo de novo, um esclarecimento, algo que seja importante para o telespectador.
Há ocasiões, em que os jornalistas, como se costuma dizer, "perdem uma boa oportunidade para estar calados". E deixar falar o acontecimento...

31 outubro 2005

Há reportagens fascinantes...

Na edição de hoje do jornal Destak, numa secção dedicada a publicidade(?) à TV Guia, vinha o seguinte excerto de uma reportagem da edição desta semana da revista:

Judite de Sousa
Querida Professora
Duas vezes por semana, Judite de Sousa dá aulas no Instituto Superior de Comunicação Empresarial, no Príncipe Real, em Lisboa. Assistimos a uma aula da jornalista da RTP. Só a dificuldade em estacionar o carro no Príncipe Real fez com que Judite de Sousa não chegasse mais cedo ao Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM), onde dá aulas há 13 anos. «Bom dia, já consegui estacionar. Estava a sair um carro e aproveitei... Isto é complicado...», cumprimentou-nos a jornalista da RTP.

Em rodapé, está escrito: "Leia estas peças na íntegra na edição de hoje da TV Guia!"
Depois de uma amostra destas, como podemos resistir a tal apelo?... A quem é que não interessa saber os problemas que Judite de Sousa tem para estacionar o seu carro? E que chegou atrasada à sua aula?... Já a aula propriamente dita, provavelmente foi posta em segundo plano, afinal que interesse tinha isso comparado com os outros dados fascinantes?...


24 outubro 2005

O 'W' do Wilma

Nos últimos dias têm-se ouvido nos meios de comunicação social, várias notícias sobre o já famoso furacão "Wilma".
O nome do furacão é pronunciado por todos, como "Vilma", lendo o som 'v' . Confesso que isto me tem vindo a intrigar... Porquê pronunciar "Vilma" e não "Uilma"? Acaso o nome é de origem alemã, ou outro idioma em que essa letra se pronuncie como 'v'?... Ou será um aportuguesamento?... Ou será mais um daqueles fenómenos do chamado jornalismo de "pé de microfone", em que um comete uma asneira pela primeira vez, e os outros todos copiam?...
Pode ser um pequenino pormenor, mas porque não, já agora, pronunciar o nome do furacão correctamente?...

22 outubro 2005

Generalizações abusivas

Há momentos ouvi um pivot da SIC Notícias apresentar uma feira de livros sobre o Islão, que está a decorrer na Mesquita de Lisboa, rematando a notícia da seguinte forma: "Uma feira que pretende acabar com os preconceitos dos portugueses."
Dos portugueses? Ou de alguns portugueses? Será que somos um país assim tão preconceituoso, neste caso em relação ao Islão? Eu diria, na minha humilde opinião, que não somos um país assim tão preconceituoso para merecer tal frase. Provavelmente temos, como em todos os outros países, pessoas preconceituosas e pessoas não preconceituosas. Portanto, a referida feira poderia acabar com os preconceitos de alguns dos portugueses, aqueles que efectivamente forem preconceituosos.
Dito dessa forma, não só foi uma generalização abusiva, como também pode ser visto como um insulto ao telespectador, que se vê de repente catalogado como "preconceituoso". A não ser, é claro, que não seja português...
São coisas destas que fazem pensar em que medida os media não contribuem também, em certa medida, para que as pessoas tenham ideias erradas sobre o próprio país... Pois se nos dizem que somos preconceituosos, quem somos nós para duvidar?...

18 outubro 2005

Convidados Indesejados

Há situações tão insólitas, que nem parecem reais... Deparei-me com uma dessas situações ontem, ao ver o noticiário da SIC Notícias.
Já começam a ser vulgares as agressões (físicas e verbais) a jornalistas. Mas ontem a Ministra da Educação decidiu introduzir uma variante no desrespeito pelos profissionais da Comunicação Social. Convidou os jornalistas para a apresentação de um novo programa de Matemática numa escola. Os jornalistas responderam ao convite, deslocando-se à mesma. Mas, surpresa das surpresas, uma vez lá, foram impedidos de entrar!
Perante esta situação, não só os jornalistas ficaram obviamente indignados, mas também algumas professoras que se encontravam no local, e que se retiraram, por achar incompreensível que a Comunicação Social não pudesse ter acesso à apresentação do referido programa.
Após momentos de confusão, aparece na reportagem um senhor, presidente do conselho executivo da escola, a dizer que afinal os jornalistas já podiam entrar. Confrontado com as questões dos jornalistas, em relação ao impedimento de há momentos atrás, este senhor disse desconhecer as razões, e afirmou terem sido "ordens da ministra".
Restava então perguntar à ministra o porquê de tais ordens. E aqui aparece o mais insólito da questão: a ministra afirmou desconhecer a situação, e não sabia porque tinha sido negada a entrada aos jornalistas! Fica então a questão: quem terá sido o autor deste "desconvite" da Comunicação Social? O Pai Natal?...

05 outubro 2005

Mais uma: "inversão do ónus da prova"

Vamos lá a mais uma liçãozita de jornalismo: a coisa mais importante para um jornalista é ser entendido pelo seu público, e entender aquilo que está a dizer.
E agora vou aqui relatar mais um caso em que definitivamente foi ignorada essa regra: O Presidente da República, no seu habitual discurso do 5 de Outubro, falou na necessidade de "inversão do ónus da prova". E os jornalistas mandam-nos a notícia assim, sem mais nem menos, tomem lá o vocabulário jurídico, e safem-se como puderem! Sim, como toda a gente sabe o que é o ónus da prova, certamente que também sabem o que é a inversão do ónus da prova!...
E o mais preocupante no meio disto tudo é pensar: será que os próprios jornalistas sabem aquilo que estão a dizer? Como podem exigir do público que entenda, se muitas vezes eles próprios não entendem?!
Haja bom senso, deixem de se armar em médicos e advogados, e sejam jornalistas!

02 outubro 2005

Paramiloidose?!

Uma das regras fundamentais do jornalismo é: o primeiro parágrafo (ou lead) é o mais importante, é aí que deve estar a informação fundamental da notícia. Outra regra, é que as palavras utilizadas devem ser conhecidas, passíveis de ser compreensíveis pela maior parte do público.
Básico, não é? Então como é possível que jornalistas, já com alguns anos de profissão, consigam, numa só reportagem, quebrar estas duas pequeninas regras?! Acabo de ver, no Telejornal da RTP, uma notícia que é anunciada como uma contestação em relação aos medicamentos, por parte da Fundação Nacional de Paramiloidose. Ora, admito que seja ignorância minha, mas eu NÃO sabia o que era a tal Paramiloidose, e, atrevo-me a dizer, provavelmente há muito mais gente que não sabe. Depois de se ouvir tal palavrão, ficamos na esperança que a jornalista comece a reportagem por explicar o que é a tal de Paramiloidose... Mas não, mergulha logo para a apresentação do problema, os testemunhos das pessoas que fazem parte da fundação. Tudo muito bem, só faltava um pormenor: saber em que consiste a doença!!
Mas ainda mantive a esperança durante uns minutos, podia ser que a explicação aparecesse pelo meio. Expectativas goradas! A reportagem termina, e nada, zero, nicles.
Pronto, tive que recorrer à Internet para descobrir afinal o que é a tal Paramiloidose. Qual não é o meu espanto quando verifico que é a vulgarmente chamada "doença dos pezinhos"! Pergunto: não seria muito mais simples referir a doença por esse nome?... Ou pelo menos explicar que era o equivalente?...
E o pior é que isto não é caso único. Não sei se é um desejo incontrolável que os jornalistas têm de mostrar que sabem palavras difícieis, mas constantemente são utilizados termos que quase de certeza que a maior parte das pessoas não conhece! E para quem é a informação? Não é para o público? Como pode uma pessoa perceber um problema que é apresentado numa reportagem, se não sabe a que se refere? O jornalista não é um técnico, pelo contrário, tem a obrigação de traduzir os termos técnicos!
Mais uma vez: admito que a ignorância seja minha, mas confesso, não sabia o que era a Paramiloidose.

13 setembro 2005

5000... Um Número Demasiado Grande

Cerca de 5000... É este o número de jornalistas desempregados, em Portugal... Um número cruelmente verdadeiro para os que nele estão incluídos, e assustador para os aspirantes a essa profissão...
Todos os que estão a estudar para ser jornalistas, sabem que o que os espera não é animador. Mesmo quando se consegue arranjar emprego, muitas vezes trabalha-se de borla. Trabalha-se muito e recebe-se pouco.
Há muitos jornalistas para poucos postos de trabalho, esta é a realidade! Todos os anos saem das universidades centenas de novos jornalistas, que o mercado não consegue absorver. E é claro que os postos de trabalho não caem do céu, é necessário criá-los. E se calhar o problema é esse: é que nos últimos anos o mercado da comunicação social não tem criado muitas oportunidades novas, antes pelo contrário, verificaram-se despedimentos em alguns meios de comunicação social, e mesmo o fecho de jornais como A Capital e O Comércio do Porto. Senão vejamos: no panorama da imprensa, o mercado permanece igual, à excepção da entrada dos diários gratuitos. No entanto, estes não necessitam de muitos jornalistas para funcionarem. Por sua vez, na televisão, o aparecimento da SIC Notícias veio sem dúvida criar novas oportunidades para os recém-licenciados em jornalismo, nota-se que desde o início o canal faz um esforço por dar oportunidade a caras novas, o que é de louvar. A RTPN também veio abrir novas portas. Mas mesmo assim não chega... Porque no geral, continua a haver jornalistas a mais para trabalho a menos! Os grandes grupos económicos compram e vendem órgãos de comunicação social, aglomerando-os em grandes grupos, mas na verdade não criam nada de novo, apenas estão a mover aquilo que já existe. Não seria necessários criar novos projectos?... E quem sabe, talvez esses novos projectos pudessem passar cada vez mais pela internet, pelo jornalismo online...
Aqui fica a reflexão sobre o estado de coisas do jornalismo em Portugal, feita por uma aspirante a jornalista, que espera não vir a aumentar o terrível número dos 5000... um número demasiado grande para continuar a ser ignorado.

01 setembro 2005

Negócios dos Media...

Acabo de saber que a igreja Maná pretende adquirir uma participação no grupo Media Capital. Tal até não parece ser muito estranho, uma vez que a própria igreja Maná tem uma plataforma de televisão, a Maná Sat, que inclui dois canais de televisão emitidos por via satélite, e vai inaugurar brevemente mais um canal nas ilhas Canárias. Não me interessa aqui relflectir sobre o poder económico desta igreja (nem de outras), nem da forma como obtêm e aplicam o seu dinheiro. O que me interessa aqui é o jornalismo. E por isso, esta notícia só veio aprofundar os meus receios, e acentuar a questão que coloco tantas vezes: Onde é que fica o jornalismo no meio disto tudo?
Cada vez mais o jornalismo fica no meio de negócios, muitos negócios... grandes grupos económicos, compras, vendas, fusões... No meio disto tudo está o jornalismo, estão as pessoas que todos os dias trabalham para dar ao público as notícias. Mas, de uma maneira ou de outra, não o podem fazer sem estar sujeitas aos imperativos das impresas para as quais trabalham... e isso é que me preocupa verdadeiramente. Por um lado, com a formação de grandes grupos económicos, que detêm vários órgãos de comunicação social, vemos um jornalismo cada vez mais homogéneo, cada vez mais igual. Por outro, a pressão das audiências e das vendas traz cada vez mais um jornalismo feito à pressão, e portanto mal feito. E muitas vezes nem se podem culpar os jornalistas, meros peões num enorme jogo de interesses económicos, que têm de fazer tudo o que podem para assegurar o seu emprego...
É isto, fundamentalmente, que me preocupa. Também não tenho uma visão tão purista do jornalismo, que não compreenda que tem uma componente de negócio! Mas quando ele passa a ser um negócio, e quando ainda por cima esse negócio envolve misturas de vários ramos da sociedade, não posso deixar de me perguntar se o jornalismo, no meio disto tudo, pode continuar a ser isento...